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Poder e Política

Banalização da cola: o modelo ead

Prima-prova-parcial-pandêmica Foi, foi numa manhã de sexta-fria. Depois, depois do passar de tarde anterior, pouca alegria, cheio de dor,...

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Ornito Vargas

4 min de leitura

26 de agosto de 2021

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Prima-prova-parcial-pandêmica


Foi, foi numa manhã de sexta-fria.


Depois, depois do passar de tarde anterior,


pouca alegria, cheio de dor,


desconfortável, eu, fizera involuntária feitoria.


Não houvera sentido, mas motivo.


“Colinhas” fora a instaurada democracia,


achada por pessoas de maestria,


para que o severo estudar se tornasse digestivo.


Entretanto, com o agora pandêmico desconsolar


– absurdo e revelador –, claro,


algo ganhava sua vontade, seu espaço.


Pássaro! Passava a voar sem hesitar.


O que nasceu dali foi para o sempre:


precisava haver prova na incerteza.


Faculdade imperou sua “justeza”.


Fria. Cega. Rápida. -Mente.


Professor resolveu: poderíamos viver um de dois exames.


N’um: agora, pra “saudável”;


n’outro: quando e onde, “vulnerável”.


E, mal sabia o que viria; mentiras aos enxames...


“Tio do meu pai está suspeito de covid”


“Prima-prima-prima de vó minha tosse grave suspeita”


“Suspeita anônima distante sujeita”


Coro de risadas e silêncios - pura-bajulice.


Ousar leva junto muita coisa... Rumo-cima-baixo


Ora pomba, o desencadear das maldades.


Ora corvo, nutre-se da ausência de inconformidades.


Oro: “Acordem, o mundo-fora-dos-eixos...”


Movimentação


Alguém dissipou o ilusório mérito


- tão pequeno, tão banal, tão inexistente.


Era caminho de gente que queria ser gente,


Mérito, cracia: mecratocia - rito.


Agora, para alívio, se esvaiu,


pois afrouxou-se todas as presilhas, é terra de ninguém.


Narciso vai junto, o sonhar também:


os valores mudaram – todo esforço é vil.


Na parede, um quadro.


Ele mede a honra - só gente bonita:


gente que rouba, gente desapercebida,


gente exibida, gente de teatro.


Gente. Mas, que fácil apontar o dedo!?


Do cálice da inocência, ninguém bebeu.


Nem eu, às minhas maneiras – só véu!


Nem ativistas: muito sofá - medo.


Isso porque tudo se tornou tabu.


Sentindo na carne o gosto e o desejo,


reprimindo a autoimagem pavorosa do sujeito,


colocamos os silêncios num grande museu.


Dos isentos, teve luta, mas de interno.


Teve, também, receio de cumplicidade suspeita.


Tolos, santos e bestas:


“Nunca colei, a mim não darão o Inferno”


Outros, fé ingênua na tecnologia:


cegos, falavam de bondade coletiva,


por meio de microfones e câmeras mantida.


Mas não aconteceu. Delineou-se a história – sem magia.


Hoje, tudo já é normal.


Quer dizer, estranheza passou – incorporação.


Mas, fica: injustiças já são frequentes nesta nação


- um jeitinho travestido de inocente-formal.


Nessa moçoroca, índio quer saber:


“O que é que se passa nesta terra anticivilizada?”


- Na banalização e naturalização da cola, a Máquina Desajeitada;


o impossível se cria, se identifica, se entreolha. Faz-se ser.


Eu, de-olho


Continuo certo-seguro em desespero nessa vida.


Descubro: feliz é saber o que tem;


não, não é saber-frequente da falta de algo ou alguém.


Quero ter mais-sem-mais dívidas.


Quitar? E eu mais sou o que, depois de tudo?


Sou nada. Se sou, sou o não-agir.


Não, não sou. Sou o quis: queria devir.


Mas, agora, olhos-perdidos falam e descansam. Mudo, fui mundo.


Dirão que a terra condiciona o homem,


que éramos reféns. Mas não,


a luta delineia-se de pé e mão.


Coragem... Coragem? Coragem!


Careceu-se de vontade.


Morreu-se em vontadezinhas e pensamentos.


Sem vontade – com pequenos ganhos -, padece movimento;


“Sem movimento, não há luta.” Ambiguidades...


Mirando em dores, se-diz-se: se-canta-se apenas a realidade...


Mas, que se-seria se-minha vida


se-se não se-tivesse-se em mim massa colorida


para se-se se-cartar-se sonhos de uma subjetividade?


Gabriel Linares, 2021


Autoria: Gabriel Linares Fernandes; Revisão: Julia Maciel de Rodrigues & João Vitor Garcia Vedrano; Imagem de capa: Hieronymus Bosch, "A Nau dos Loucos", pintura sobre madeira, 1500-1510.

Revisado por Equipe de Revisão

Escrito por

Ornito Vargas

Há 7 anos na Gazeta

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