BRASIL EM CRISE: ALTA DOS PREÇOS




A meta de inflação de 3,75%, determinada pelo Banco Central do Brasil, foi largamente ultrapassada e chegou a dois dígitos em setembro, alcançando 10,25%. A alta no Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), indicador usado para medir a inflação, chegou aos setores energético e alimentar, impactando a vida de 84% dos brasileiros, principalmente das 14,8 milhões de pessoas que estão sem trabalho, segundo dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).



A alta dos preços se deve a uma série de razões como o aumento do valor das commodities, que estimula a exportação, a desvalorização do real, a crise hídrica e até mesmo as políticas que entraram em debate recentemente, como o Imposto sobre circulação de Mercadorias e Serviços (ICMS) e a Política de Preços de Paridade de Importação (PPI).


Reprodução: Getty Images



Combustível

A Petrobras reajustou o preço dos combustíveis nesta última terça, 26, pela terceira vez no ano. Com isso, o litro da gasolina aumentou em 7,04% e o diesel em 9,15%. Desde de janeiro a gasolina já aumentou 73%, e o diesel 65%.


Além dos efeitos pós-pandemia afetando globalmente a economia, há divergência no debate sobre as causas do aumento dos preços. Por um lado, políticos com tendências liberais e o próprio presidente da Petrobrás, Joaquim Silva e Luna, defendem que a alta descontrolada dos preços se deve ao ICMS, que é a tributação feita no nível estadual. Por outro, políticos críticos ao atual governo indicam que a PPI, adotada em 2016, durante o governo Temer, é a verdadeira vilã no aumento dos preços. Esse mecanismo se baseia nos preços internacionais, fazendo os preços dos derivados de petróleo (gasolina, diesel, gás de cozinha) subirem concomitantemente ao preço da matéria-prima. Os únicos a ganhar com isso são os acionistas da Petrobras, que se beneficiaram do lucro de R$31,1 bilhões da empresa no terceiro trimestre de 2021.


Alimentos

Manter abastecida as dispensas se tornou um novo desafio para o cotidiano brasileiro com as altas nos preços do arroz, feijão, óleo e leite. Para os próximos meses, há expectativas por parte do setor produtivo de que haja alta também nas carnes de frango, porco e nos ovos.

A economista coordenadora da Pesquisa Nacional da Cesta Básica de Alimentos, Patrícia Costa, explica as razões desse aumento: “O real desvalorizado é um fomento para exportação. Na pandemia, o Brasil assumiu uma posição de continuar exportando, enquanto outros países seguraram o estoque de suas produções.” Assim, o que se observa é que o aumento dos preços das commodities impulsiona o setor do agronegócio a exportar esses produtos, devido à maior lucratividade em relação às vendas nacionais. Ela continua: “...ainda tínhamos o auxílio emergencial de R$600 circulando, dando um maior poder de compra às famílias. Com pouca oferta para muita demanda o preço subiu, impactando na inflação”.


Os efeitos dessa mudança drástica na cesta básica já aparecem no desespero do cidadão: nesta quinta, 28, dois homens foram absolvidos pelo furto de alimentos vencidos na área de descarte de um supermercado no Rio Grande do Sul. A queda do poder aquisitivo dos consumidores já reflete no setor produtivo: empresas como Nestlé, Alpino e Kellogg's passaram a adotar redução da gramatura das embalagens para dar ilusão de um preço estável, sendo algumas firmas investigadas pelo Departamento de Proteção e Defesa do Consumidor (DPDC).



Torrada Adria teve uma redução de 11%, de 160g para 142g / Reprodução: O Globo



Energia

Como se não bastasse todo esse cenário inflacionário, o bolso do brasileiro será mais penalizado com a conta de luz na bandeira mais grave, devido às estiagens históricas que ocorrem no país atualmente. Segundo dados do IBGE, o preço da conta de luz já acumulou em quase 25% no ano de 2021, elevando o novo valor da taxa extra a R$14,20 pelo consumo de 100kWh.

O aumento da bandeira tarifária é realizado para cobrir os gastos das usinas termelétricas, que têm um custo maior de produção e são usadas para compensar a queda na produção de energia nas usinas elétricas.

A Aneel anunciou nesta sexta, 29, que as famílias de baixa renda que participam do programa Tarifa Social terão suas contas de luz reduzidas, beneficiando 12 milhões de famílias brasileiras.




Revisão: Bruna Ballestero e Glendha Visani

Imagem de Capa: Reprodução/ Pinterest



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Referências

Banco Central do Brasil. Acesse em: https://www.bcb.gov.br/

JÚNIOR, Janary.n Deputados cobram mudança na política de preços dos combustíveis da petrobrás. Site Oficial da Câmara dos Deputados, 14 de Setembro de 2021. Disponível em: https://www.camara.leg.br/noticias/805814-deputados-cobram-mudanca-na-politica-de-precos-dos-combustiveis-da-petrobras/. Acesso em 28 de Outubro

LACERDA, Nara. BDF explica: por que os preços não param de subir? Brasil de Fato, 08 de Agosto de 2021. Disponível em: https://www.brasildefato.com.br/2021/08/01/bdf-explica-por-que-os-precos-nao-param-de-subir. Acesso em 28 de Outubro


CASEMIRO, Luciana. Empresas que Reduziram peso de embalagens de produtos terão que comprovar informação adequada ao consumidor. O Globo, 12 de Outubro de 2021. Disponível em: consumidorhttps://oglobo.globo.com/economia/defesa-do-consumidor/empresas-que-reduziram-peso-de-embalagens-de-produtos-terao-que-comprovar-informacao-adequada-ao-consumidor-1-25233134. Acesso em 28 de Outubro


CHAGAS, Gustavo. MP pede para Justiça condenar reús por furto de alimentos vencidos no RS. G1, 27 de Outubro de 2021. Disponível em: https://g1.globo.com/rs/rio-grande-do-sul/noticia/2021/10/27/defensoria-tenta-absolver-reus-por-furto-de-queijo-presunto-e-outros-alimentos-vencidos-descartados-por-mercado-no-rs.ghtml. Acesso em 28 de Outubro


MALAR, João Pedro. Energia elétrica tem alta acumulada de quase 25% em 2021, diz IBGE. CNN Brasil, 26 de Outubro de 2021. Disponível em: https://www.cnnbrasil.com.br/business/energia-eletrica-tem-alta-acumulada-de-quase-25-em-2021-diz-ibge/. Acesso em 28 de Outubro


Aneel: Famílias de baixa renda terão conta de luz mais barata em novembro. Uol, 29 de Outubro de 2021. Disponível em: https://economia.uol.com.br/noticias/redacao/2021/10/29/aneel-familias-de-baixa-renda-terao-conta-de-luz-mais-barata-em-novembro.htm. Acesso em 28 de Outubro de 2021




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