CRÍTICA À ESQUERDA

Augusto Périco, aluno do 3° semestre da graduação de Direito, nos enviou pelo Espaço Aberto uma declaração de sua insatisfação com a atual ala de oposição na política

Minha intenção com esse texto não é propor uma brilhante tese sobre ciência política. Se trata simplesmente de expor minha insatisfação com o cenário político atual, no que tange especificamente os mecanismos de representação e oposição que a dita ala de esquerda e centro-esquerda têm utilizado. Em suma, é um texto crítico sobre a atuação pouco satisfatória dessa nova oposição ao atual governo, e à onda conservadora em si.


Minha metodologia foi de analisar alguns fatos e acontecimentos de repercussão nacional, que personificam a ineficácia do poder de oposição dessa ala. Fazendo uma análise crítica de como isso se representa no campo prático a nós, cidadãos, que queremos entender o que se passa com o nosso país.

Vejo essa inquietação como relevante porque se trata de uma abordagem das ações do principais atores políticos (os partidos e seus caciques) da esquerda, que deveriam representar o interesse de uma parte significativa da população, mas não o fazem!


Há uma crise de representatividade e sensação de incompatibilidade com o cenário atual. Quero entender alguns fatores que contribuíram para isso.


Por alas de esquerda e centro-esquerda entendo como partidos que possuam certa representação nacional, como o PSOL, PT, PCdoB, PDT. Associações não foram incluídas nessa análise por questões de recorte temático.


Começo pelas manifestações de 2016, por sua grandiosidade e consequência direta com o impeachment de Dilma Rousseff. Elas foram marcadas pelas ondas, verde-amarelas, de pessoas batendo panelas, indignadas com o cenário político da época. Foi o apogeu do termo “coxinha”, que se trata justamente dessas pessoas que se vestem de maneira igual (trajadas pelo espírito nacionalista canarinho), e, principalmente, pensam de maneira igual.


Qual foi / e ainda é, a visão das alas de esquerda e centro-esquerda sobre esse acontecimento? Um grande teatro, movimento de razões fomentadas por uma mídia oportunista, de oposição ao governo de Dilma Rousseff.


Seja como for, os coxinhas não voltaram mais com o mesmo tipo de manifestação. Suas panelas estão bem guardadas em suas casas.


Prosseguindo, mais recentemente, com esse frenético e assustador ano eleitoral de 2018, sob o manto das preocupantes taxas de desemprego, principalmente, milhões foram às ruas clamar pelo Messias.

A onda conservadora provou sua força - o Messias foi eleito.


Qual foi / e ainda é, a visão das alas de esquerda e centro esquerda sobre essa derrota? Atuação maciça das fake news, um fenômeno bem utilizado pelos setores conservadores da sociedade. Não há como negar o papel decisivo das fake news, contudo, essa visão parece insuficiente.


Isso porque grandes pautas da insatisfação popular como o desemprego e a corrupção eram reais. As fakes news agiram como esteróides que fortaleceram aquele que tinha uma solução mais simples concisa para esses problemas mais complexos.


Dessa forma, as alas de esquerda e centro esquerda experimentaram verdadeiramente o gosto da derrota. Era preciso rever a forma desses partidos fazer política, porque a corrupção e a ineficácia se sobrepuseram ao velho discurso de sempre - de grandiosas e belas políticas sociais, da atuação do estado em prol do desenvolvimento nacional, bem como de amparo às camadas mais pobres e desfavorecidas.


Era preciso mudar, e assumir uma tarefa de oposição forte e unida contra o governo conservador.Mas como essas alas têm respondido a essa importante tarefa?


Os parlamentares do PSOL utilizam aventais laranjas nas sessões do congresso.


Ciro Gomes (PDT) chama Bolsonaro de garoto tuiteiro de 13 anos, e se esquece que durante o fim do processo eleitoral de 2018 lavou as mãos e foi para a Europa.


O PT insiste alavancar a campanha “Lula Livre” e deixa de trabalhar suas novas e jovens lideranças.

Mais recentemente, Manuela D’ávila (PCdoB) apoiou, e ainda vem apoiando, a manifestação de José de Abreu como “Presidente do Brasil”. Que em nada tem atingido o atual governo, pelo contrário, tem o fortalecido.


E o mais imperdoável, o apoio ao (des) governo de Nicolás Maduro, por praticamente toda essa ala. Diretamente, no caso do PT e PCdoB. E indiretamente, que é o caso do PSOL e PDT, que criticam as declarações ofensivas de Jair Bolsonaro, e se isentam de uma crítica mais concisa, sob o pretexto de não interferência sobre assuntos externos e rechaça à interferência de potências imperialistas.


E a Reforma da Previdência? E o teto de gastos do governo? Como pretendem incentivar nós, jovens, a participar ativamente no cenário político? E o diálogo do a população menos instruída, explicando, por exemplo, como a nova CLT os afetou?


Acredito que a atuação dessas alas de centro-esquerda e esquerda, como um todo, têm sido insatisfatórias. Não tem chegado a quem precisa ser convencido e esclarecido da atual situação, pelo contrário, tem afastado.


Falta humildade no nosso discurso. Criticamos tanto o teatro da direita, e estamos orquestrando o nosso. Não podemos carregar o mantra de esquerda cirandeira, festiva, que posta memes e faz birra pelo Facebook. Não podemos contribuir mais para essa era de desinformação, é preciso se reorganizar, para então resistir.

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