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E MAIS UMA VEZ, SÃO CARLOS FOI PINTADA DE PRETO E AMARELO




E foi Econo. Mais uma vez, os quatro dias mais insanos na vida do GVniano passaram como um borrão, trazendo muitos momentos que, certamente, ficarão guardados conosco pela vida. Após muitos gritos, choros, risadas e suspiros de alívio quando aquele último pontinho foi marcado, podemos dizer que esse feriado foi inesquecível.


Para você que talvez não esteja entendendo nada, que entrou hoje na FGV ou que simplesmente não dá a mínima para algo como jogos universitários, eu explico: o Econo, nome como são conhecidas as Economíadas, é um dos maiores jogos universitários do país, que teve, entre os dias 30 de maio e 02 de junho de 2024, a sua 32° edição. Reunindo atléticas de faculdades como Mackenzie, Insper, FECAP, ESPM e, claro, a da FGV, que, com um trabalho incrível, ajudam a organizar os jogos, que possuem várias modalidades nas quais nossos atletas podem brilhar e garantir medalhas e troféus. 


Mesmo eu, uma pessoa não tão aficionada por esportes, vibro imensamente com o Econo e com tudo o que ele representa. Em meio a jogos memoráveis, um sentimento único envolve centenas de GVnianos nas quadras por quatro dias.. Torcer pelos atletas da Fundação vai muito além da vitória; representa, a meu ver, a união de toda essa gente que forma a Fundação. 


Em quatro dias, São Carlos foi destino de muitos estudantes da Fundação que, com seus abadás, tirantes, canecas e, pelas particularidades de um clima pouco receptivo, muitos agasalhos invadiram as quadras e ginásios da cidade. Foram multidões de preto e amarelo se apertando em arquibancadas para prestigiar os atletas, seja no basquete, no vôlei, no handebol ou no tênis. Cada modalidade teve sua própria torcida, sua vibração e sua parcela de protagonismo. Cada vez que chegamos em uma final era uma festa sem tamanho, muita fumaça, luzes e música para embalar o momento. 


O que parece ser só mais uma oportunidade para festa é, na verdade, também sinônimo de preparação, de muita superação e de muito esforço. O nosso resultado impressionou, um segundo lugar com apenas 11 pontos de diferença do vencedor. Para isso, foram meses a fio de preparação dos atletas, que deram o melhor de si em quadra em nome de mais uma vitória da FGV, que seria apenas a segunda em 32 edições de Jogos. 


Aqui, não posso deixar de elogiar imensamente o desempenho das nossas atletas. O Econo é envolto de polêmicas relacionadas à desigualdade de gênero e à diferença no tratamento dado às atletas femininas. Mesmo assim, as mulheres da FGV deram um show nos esportes e garantiram muitos pontos para a Fundação. Chegamos nas finais com quase todos os times femininos e ganhamos a maioria delas. Foram muitos troféus merecidos para as campeãs GVnianas. O desempenho delas foi fundamental para a boa pontuação da faculdade, mesmo que o machismo da competição ainda esteja presente, inviabilizando a pontuação de modalidades como o Rugby feminino, algo arcaico e duramente criticado pelos atletas, as representativas e o alunato da FGV.


Os atletas, claro, são fundamentais para os jogos, mas é o sentimento de união, de gritar em uníssono por eles e de festejar ao lado de colegas da Fundação o que mais me encanta no Econo. É mágico ser GVniano por completo durante esses quatro dias, nos quais podemos esquecer qualquer problema com a faculdade, todas aquelas vezes que tivemos raiva da FGV e simplesmente sermos jovens aproveitando a mágica que o esporte proporciona., torcendo juntos numa arquibancada. 


A torcida, por sinal, foi um show à parte. A Amor Preto e Amarelo, ou APA, como é carinhosamente chamada, junto da bateria Tatubola, deu uma aula de torcida, fazendo São Carlos ficar pequena com gritos emocionados. Tambores, caixas e chocalhos complementavam o coro que preenchia cada canto das quadras e ginásios, quase que engolindo qualquer tentativa adversária de fazer seu próprio som. Quando puxavam a GV para cantar, não tinha para ninguém. Era ali, como muitos atletas gostam de dizer, que estava o diferencial entre uma vitória e uma derrota. Ouvir toda a Fundação vibrando e tocando por você traz uma nova energia na hora do jogo. Torcer pela Fundação é algo diferente, que, como gosto sempre de lembrar, não é facilmente substituído por troféu. 


O Econo passou rápido, como de praxe. Os quatro dias foram borrões de luzes, fumaça, música e lágrimas. Mas foram bem vividos por alunos que puderam presenciar de perto a experiência dos jogos e, acima de tudo, a experiência de ser GV em um jogo. Acredito que esse seja o cerne da coisa: deixar para trás o estresse com provas, trabalhos e entidades, esquecer das notas e das faltas e poder apenas viver intensamente a juventude e o esporte universitário. Melodramático talvez, mas a essa altura já não há jeito melhor de definir. 


Gosto de dizer a todos que o Econo é uma experiência que precisa ser vivida ao menos uma vez por todo mundo da GV. Eu mesmo, ao entrar na faculdade, não imaginava que ia me apaixonar tanto por um evento esportivo, que envolve, ainda, muita sujeira, tinta na cara e banhos frios. Seja de alojamento, com uma barraca para dois e uma tapioca da dona Graça, seja em uma pousada dividida com seus amigos, todo mundo precisa pegar a mala e migrar rumo aos Jogos. Sem essa experiência, penso eu, sua vivência universitária não estará completa. 


Mesmo com longas festas e atrações gigantes, o que se destaca no Econo são, justamente, as partidas. A oportunidade de ver seus amigos em quadra, campo, tatame ou piscina, de entoar os tradicionais cantos da FGV a plenos pulmões e de celebrar uma suada vitória não tem preço. Por isso, qualquer um, mesmo alguém não tão fã de esportes assim, fica encantando com os jogos e, todo ano, faz a mala rumo ao interior. 


Por quatro dias, mais uma vez, São Carlos foi pintada de preto e amarelo. As cores da Fundação tomaram conta de todos os espaços e se destacaram em meio a multidão. De noite e de dia, ser GVniano era uma festa e motivo de orgulho. Orgulho de pertencer a uma faculdade que joga justo, joga bem, com fair play e com respeito à diversidade. Orgulho de pertencer, como um dos cantos lembra, à “maior do continente”. De fato, o segundo lugar não abalou o espírito GVniano. Ao contrário, deu gás para que, ano que vem, a gente vá com mais garra, de preto e amarelo, rumo à vitória.


Texto: Arthur Quinello

Revisão: André Rhinow e Laura Freitas

Imagem de capa: OLHARR, 2024. 


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