A FGV NÃO APENAS RELEVA O MACHISMO, MAS COMPACTUA COM ELE

A última redatora estreante Letícia Vilar compartilha sua visão sobre o machismo institucional na Fundação

Embora a Fundação Getúlio Vargas seja cheia de princípios e ideais, constantemente a universidade é alvo de críticas ao machismo ali existente. Basta notar quantas notícias já saíram na mídia sobre casos de machismo apenas neste ano.


O acontecimento mais recente ocorreu no começo de agosto com as calouras que ingressaram na faculdade neste segundo semestre de 2017. O trote, que teoricamente é feito para interação entre os alunos, foi marcado por inúmeros casos de assédio. Alunas da minha turma foram vítimas de ameaças e comentários machistas durante o evento. Evidentemente decepcionadas com a situação, denunciaram o caso à Fundação. Integrantes do coletivo feminista e do DA disseram que atitudes estão sendo tomadas para chegar aos responsáveis.


Precisa-se notar que mais que reconhecer que o machismo existe entre os alunos e professores da Escola, é necessário que atitudes sejam tomadas de forma mais severa pela diretoria. Embora a pressão das entidades sobre os casos de machismo seja de extrema importância, há uma hierarquia na instituição e os casos devem chegar até os superiores para que algo seja feito. Advertências verbais aos assediadores não são suficientes para a resolução do problema.


A forma como o machismo mais ganha espaço dentro da universidade está fortemente associada ao fato de a FGV relevar as denúncias de assédio por parte de professores. Comentários machistas durante as aulas não deveriam ser tolerados, no entanto, aparentemente, falta consciência da faculdade sobre a importância do combate ao machismo. A partir do momento que professores fazem comentários misóginos e desrespeitosos e nada lhes acontece, mais alunos são ensinados de que podem agir assim.


Quanto menos atitudes efetivas forem tomadas, mais essa situação se perpetua. É de extrema importância que a administração da universidade colabore com o coletivo feminista e não tente amenizar a gravidade dos acontecimentos, como vem acontecendo.

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