NEGÓCIOS QUE CRESCERAM NA PANDEMIA





O ano é 2021 e você não aguenta mais ficar em casa. Depois de horas de aulas online você decide procurar alguma coisa para assistir nos novos serviços de streaming que assinou: olha o catálogo da Netflix, descobre as novas séries no Prime Video, tenta achar alguma coisa no Disney + e aproveita para dar uma conferida no HBO Max. Você assiste um episódio de Round 6 e, de repente, bate aquela fome... Você rapidamente pega o celular e pede alguma coisa pelo Ifood e, enquanto espera, acaba se distraindo no site da Amazon. Sua comida chega, você pega sua máscara e seu álcool em gel e vai até o portão. Em casa, você abre um vinho enquanto come e termina de assistir ao episódio que havia começado antes do interfone tocar. Antes de dormir, você lê o livro que está na sua cabeceira faz tempo e se prepara mentalmente para repetir tudo isso no dia seguinte...


Há dois anos, a pandemia de Covid-19 assolou o Brasil e, justamente por causa de sua longa duração, rotinas como essa ficaram cada vez mais comuns. As mudanças de hábitos e o surgimento de novas práticas moldadas pelo isolamento social ocasionaram alterações fundamentais na economia. Por um lado, a paralisação do comércio e a falência de negócios em todos os cantos do país acarretaram níveis altíssimos de desemprego, fator que apenas contribuiu para o agravamento da crise sanitária e econômica. Por outro lado, com o fechamento de escolas e universidades e a instauração do home-office, surgiram novas demandas focadas quase integralmente nos serviços digitais, o que permitiu o crescimento de alguns setores da economia.


O mercado de serviços de streaming foi um dos que mais cresceu nesse período. Segundo a MPA (Motion Pictures Association), aproximadamente 232 milhões de novas contas foram criadas apenas em 2020, acumulando mais de 1.1 bilhão de assinaturas ativas. Já dados coletados pelo RankMyApp mostram que, entre 2019 e 2021, houve um crescimento de 300% na presença de aplicativos de streaming de vídeo na plataforma Google Play Store. Não é à toa que temos a impressão de que estamos vivendo em uma espécie de guerra dos streamings na qual os conteúdos ficam cada vez mais espalhados entre as diversas plataformas que chegam rapidamente ao mercado brasileiro.


Seguindo a onda do mercado digital, o comércio virtual também foi um dos setores que teve um grande crescimento econômico nos últimos anos. Dados coletados pela Statista apontam que apenas em março de 2020, mês no qual a quarentena foi decretada no Brasil, houve um aumento de 40% nas compras virtuais. Apesar das gigantes do e-commerce, como a Amazon, ainda dominarem o mercado ao utilizarem práticas que estimulam uma concorrência predatória no setor, como o dumping, o crescimento dessa modalidade ainda representa uma luz de esperança para pequenas e médias empresas (PMEs) nesses tempos de crise econômica e de alta inflação. O Estudo Nuvem Commerce indicou que 5 milhões de consumidores compraram produtos pela internet pela primeira vez em 2021,gerando um faturamento de mais de R$ 2,3 bilhões para as PMEs, resultado 77% acima do registrado anteriormente.


Nessa mesma linha, serviços de Delivery como o Rappi e o Ifood tiveram um crescimento de 250% durante a pandemia, de acordo com a consultoria Food Consulting. Além disso, plataformas de E-learning e cursos online que foram instauradas, em primeiro momento, como uma solução momentânea para a paralisação das instituições de ensino, acabaram se consolidando no mercado, e é esperado que essa modalidade gere um total de US$ 184,52 bilhões até 2025 segundo a companhia Definanzas.


Durante a pandemia, também houveram negócios inusitados que apresentaram um crescimento inesperado. O setor nacional de vinhos apresentou uma rápida expansão durante os dois anos de pandemia, o que resultou em um acréscimo de 75% nas vendas do produto nesse período, segundo a União Brasileira de Vitivinicultura. Já a venda de quebra-cabeças teve um crescimento surpreendente de 581% nos pedidos do e-commerce durante os meses de fevereiro e março de 2020 quando comparado com o ano anterior. Nesse mesmo período, a busca por massa acrílica na internet cresceu 692%, enquanto a compra virtual de plantas e sementes aumentou 623%.


Autoria: Victorya Pimentel

Revisão: Bruna Ballestero e Beatriz Nassar

Imagem de capa: Johns Hopkins

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Veja as áreas de negócios que se expandiram na pandemia - Sebrae. Sebrae.com.br. Disponível em: <https://www.sebrae.com.br/sites/PortalSebrae/ufs/ma/artigos/veja-as-areas-de-negocios-que-se-expandiram-na-pandemia,23819113069ea710VgnVCM100000d701210aRCRD>. Acesso em: 28 Jan. 2022.


Faturamento do e-commerce brasileiro avança quase 80% em 2021. Mercado&Consumo. Disponível em: <https://mercadoeconsumo.com.br/2022/01/13/faturamento-do-e-commerce-brasilerio-avanca-quase-80-em-2021/>. Acesso em: 28 Jan. 2022.


Com distanciamento social, cresce o consumo de deliverys. Terra. Disponível em: <https://www.terra.com.br/noticias/dino/com-distanciamento-social-cresce-o-consumo-de-deliverys,292202e02560f2fbb79b087a310d66c1qerdutal.html>. Acesso em: 28 Jan. 2022.


Venda de vinhos brasileiros cresce 75% em dois anos de pandemia da Covid-19. Venda de vinhos brasileiros cresce 75% em dois anos de pandemia da Covid-19 – Jovem Pan. Disponível em: <https://jovempan.com.br/noticias/economia/venda-de-vinhos-brasileiros-cresce-75-em-dois-anos-de-pandemia-da-covid-19.html>. Acesso em: 28 Jan. 2022.


Os produtos inusitados mais vendidos na internet durante pandemia COVID-19. Blog Compre & Confie. Disponível em: <https://www.blog.compreconfie.com.br/post/os-produtos-inusitados-mais-vendidos-na-internet-durante-pandemia-covid-19>. Acesso em: 28 Jan. 2022.