O QUE VOCÊ PRECISA SABER SOBRE A ATUAL SITUAÇÃO DO HAITI



Durante a última semana, o mundo assistiu horrorizado a duas crises humanitárias internacionais: a tomada do poder no Afeganistão pelo grupo terrorista Taleban e os novos desastres naturais no Haiti. Nos últimos dois meses, o país caribenho entrou em uma crise política sem precedentes devido ao assassinato de seu presidente, enfrentou um novo terremoto e agora passa por uma tempestade tropical.


A Gazeta Vargas preparou este apanhado com tudo o que você precisa saber para entender o momento pelo qual passa o Haiti.


Tremores de 2010


O país já enfrentava dificuldades intrínsecas a sua própria geografia, tendo registrado abalos e tempestades com frequência desde o século XVIII, quando em 2010 foi atingido por um terremoto catastrófico: o abalo alcançou a magnitude 7,0 Mw e estima-se que tenha feito de 100 mil a 350 mil vítimas fatais. Seu epicentro foi na parte oriental da península de Tiburon, a cerca de 25 km da capital haitiana, Porto Príncipe.


À época, o território já contava com uma missão de paz criada pela Organização das Nações Unidas (ONU), a Mission des Nations Unies pour la Stabilisation en Haïti (MINUSTAH) desde 2004, devido a um período de insurgência e a deposição do presidente Jean-Bertrand Aristide.


A MINUSTAH coordenou parte dos trabalhos de remoção de corpos das vítimas do terremoto, enquanto países como México, China, Brasil e Estados Unidos enviaram medicamentos, comida e capital humano. Segundo a professora da USP Vanessa Matijascic, existem relatos de diversos tumultos em meio a doações jogadas de helicópteros, como também de haitianos com fraturas que passaram por procedimentos de amputação sem anestesia.


O cenário de turbulência generalizada foi agravado em meio a uma epidemia de cólera iniciada em outubro do mesmo ano, matando 10 mil pessoas e infectando 28 mil. Além disso, a destruição abalou a economia e a infraestrutura do território já fragilizado, e desde então o Haiti nunca pôde se recuperar completamente. Os ciclos crônicos de instabilidade política, de raízes coloniais, continuam a flagelar o país em meio a mais uma dificuldade econômica.


Furacão Matthew


Em 2016, a passagem de um furacão pela ilha foi responsável pela destruição aproximada de 22% do PIB haitiano, segundo o Banco Mundial, e pela morte de 546 pessoas e mais de 170 mil desabrigados.


COVID-19


O país foi um dos últimos do mundo a iniciar a vacinação contra o coronavírus, tendo recusado um lote da marca Astrazeneca ainda em maio deste ano, por receio de efeitos colaterais. Até o momento, foram registradas 576 mortes e 20 mil casos, mas a capacidade de registro do país é vista como baixa, devido à falta de testes.


Assassinato do presidente


Na madrugada do dia 7 de julho de 2021, o presidente do Haiti, Jovenel Moise, foi morto em um ataque a tiros em sua casa, na capital Porto Príncipe.


Desde os anos 80, o país conta com uma constituição que prevê um mandato presidencial de 5 anos. Moise tomou posse um ano depois do esperado em decorrência de irregularidades e protestos em meio às eleições de 2015, que foram repetidas no ano seguinte. No entendimento do então presidente, isso faria com que o fim de seu mandato fosse em fevereiro de 2022, e não 2021, o que gerou discordâncias e agitações sociais com a permanência do político no poder.

Com o assassinato, cujas motivações e mandantes ainda são incertos, o país tem um novo governo provisório e teria eleições para novo presidente no dia 26 de setembro, mas, com os recentes acontecimentos, elas foram adiadas para o início de novembro.


Novos tremores e tempestade tropical


No último sábado (14), dois novos tremores, separados por algumas horas, atingiram o Haiti. As magnitudes foram de 7,2 Mw e 5,8 Mw, respectivamente, e o número de mortos até o momento passa de 1900. Em Jérémie e Les Cayes, cidades a aproximadamente 160km da capital, os impactos foram sentidos em maior intensidade e vídeos circulam nas redes sociais mostrando prédios derrubados e pessoas desesperadas em frente a escombros.


Na madrugada dessa terça (17), a tempestade Grace chegou ao país causando ainda mais dificuldade nas buscas por sobreviventes do terremoto e na entrega de ajuda. Estima-se que 37 mil casas tenham sido destruídas com os tremores, e muitos haitianos estão sem nenhuma perspectiva de conseguir abrigo.



Autoria: Laura Abrahão Intrieri

Revisão: Julia Maciel de Rodrigues

Imagem de capa: Ralph Tedy/Reprodução: Terra


30 visualizações