O TEXTO MAIS VELHO DE TODOS OS TEMPOS: NÃO SABER O QUE ESCREVER
- Elis Suzuki
- 28 de nov.
- 2 min de leitura

Eu olho pela janela em busca de inspiração,
Sinto que não tenho nada novo para escrever.
Vejo as gotas da chuva caírem no chão,
Como assim a minha imaginação se esgotou?
A verdade é que eu ainda tenho muitas ideias,
Mas todas elas me parecem desoriginais:
Sinto que algum dia já ouvi sobre,
Já li sobre,
Já assisti alguma coisa parecida,
Provavelmente um vídeo no Instagram ou no Tiktok.
O que adianta eu falar de uma coisa que alguém já falou antes?
O problema é que todo mundo já falou sobre tudo.
Não tem nenhum assunto que é original,
Que é único,
Que é verdadeiramente pessoal.
Eu não consigo procurar nenhum tema que seja inovador.
Eu busco no fundo da minha mente,
Ideias e mais ideias,
Tenho uma chuva de inspirações,
Um turbilhão de emoções,
Mas nada parece ser suficiente.
Esse texto,
Como qualquer outro,
Também é uma cópia de alguma coisa,
De alguém,
Talvez de mim mesma.
Esse texto é o mais clássico de todos,
O mais velho de todos os tempos
É um texto sobre não saber o que escrever.
Todo escritor vai se identificar.
Pelo menos serei certeira.
Eu busco em minha mente,
Sinto que não sei mais escrever,
Sinto que as palavras não saem mais naturalmente dos meus dedos,
Como algum dia já saíram.
A inspiração não bate simplesmente de madrugada
E um texto sai pronto.
Ironicamente, estou escrevendo isso a uma da manhã,
Mas nem é tão tarde assim.
Eu poderia simplesmente mandar o ChatGPT escrever um texto,
Escrevo um prompt e em 5 minutos fica pronto.
Um texto fresquinho saindo do forno.
Será que iria ficar melhor?
Será que alguém iria perceber que não fui eu que escrevi?
Talvez ninguém percebesse.
Talvez eu não tenha um estilo de escrita tão...
Reconhecível.
Eu sinto que não escrevo mais,
Eu sinto que eu deixo de exercitar minha criatividade.
Deixo de pensar qual palavra ficaria melhor,
Qual sinônimo que eu mais gosto?
E se eu inverter a ordem dessa frase?
Quando eu não quero fazer,
Deixo o Chat escrever pra mim,
Ou faço de qualquer jeito,
E pelo menos peço pra ele corrigir a minha escrita.
Eu desaprendi a escrever.
Eu desaprendi a escrever,
E é por isso que eu escrevo.
Eu me forço a escrever
Porque quando eu estou com preguiça,
Eu mando outro alguém escrever por mim,
Pra que vou desperdiçar meu tempo,
(Tempo esse que é tão precioso)
Se eu posso só escolher um caminho mais fácil?
Esse texto não tem ponto.
Eu só desaprendi a escrever.
É um poema sem pé nem cabeça,
Sem fim.
Não sei se escrevi ele bem,
É só um desabafo.
São vozes da minha cabeça espalhadas pelo papel.
Ou talvez nem tenha sido eu que escrevi.
Mas acho que vocês não perceberiam.
Ou será?
Autoria: Elis Montenegro Suzuki
Revisão: Sarah Costa e Ana Clara Jabur
Imagem: Pinterest







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