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"Sobre mulheres feias e que odeiam homens"

Nossa redatora Victória Rieser traz uma análise de uma agressiva fala da atual ministra Damares Alves. Entenda o que está além da manobra...

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Ornito Vargas

4 min de leitura

3 de fevereiro de 2019

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Nossa redatora Victória Rieser traz uma análise de uma agressiva fala da atual ministra Damares Alves. Entenda o que está além da manobra social que alveja todos os insipientes.



Damares Alves é pastora evangélica, e também é a nova ministra do governo


Bolsonaro, titular do conglomerado de ministérios; da Família, da Mulher e dos


Direitos Humanos. Provavelmente, o leitor que aqui se estende, mesmo que


politicamente desinformado, já ouviu falar em Damares. Nos últimos tempos, algumas


de suas falas tiveram grande repercussão na mídia, sendo a mais polêmica: “menino


veste azul e menina veste rosa”. Essa foi uma, dentre várias outras pérolas como; “a


mulher nasceu para ser mãe”, “ninguém nasce gay” ou ainda “a gravidez é um


problema que dura só nove meses”. Frases intrigantes e acontecimentos que tiveram


visibilidade internacional como a palestra em que pastora afirma que um grupo de


especialistas holandeses diz ser necessário que os pais masturbem seus filhos a partir


dos sete meses de idade, foram motivos de revolta e discussão entre a população.


Nesse texto, me apego especificamente ao que foi exibido em uma reportagem


no Fantástico no último dia 13. “Sabe por que elas [as feministas] não gostam de


homens? Porque são feias e nós somos lindas”, disse, provocando histeria na plateia.


Comentário tendencioso e equivocado, para não dizer pior. Essa frase foi dita em uma


Assembleia de Deus em 2015 e faz parte do que eu chamo de manobra social; saiba o


que seu público quer ouvir e entregue isso a ele. Afinal, se seu auditório acredita que o


feminismo é sobre ser feia e não gostar de homens, por que não dar isso a ele?


Essa deixa da ministra, me obriga a voltar à tópicos básicos esclarecedores do


movimento feminista como um todo. O feminismo é um movimento que luta contra


todas as formas de opressão exercida sobre as mulheres e pela igualdade entre os


gêneros, portanto, não é o oposto ao machismo. É um movimento plural e diverso, e


acredite, não tem nada haver com excesso ou falta de beleza!


Entretanto, a peculiaridade de Damares vai além do que se possa esperar, ao


pesquisar sua história descubro um grande trauma. Aos seis anos, a garota foi vítima


de abuso sexual – estupros sucessivos que perduraram dois anos, dentro da própria


casa. Esse crime levou à esterilidade da mulher. A comoção mudou sua trajetória, e o


fato é que não dá para entender Damares sem entender o trauma que a fez ser quem


é. A partir disso, passo a compreender sua obsessão pela mistura de dois temas:


sexualidade e infância. Quando seu trauma é incluído no contexto de suas falas, elas


deixam de parecer apenas loucura e requerem atenção. O Brasil falhou em reconhecer


nela uma vitima de abuso, o país não tratou o trauma de Damares, e agora, o trauma,


é parte daquilo que nos governa.


– Damares, querida, não me obrigue a andar por debaixo de suas leis.


Compartilhamos da mesma opressão apesar de sermos tão diferentes enquanto


indivíduos. O feminismo é tanto para a senhora quanto é para mim.

Revisado por Equipe de Revisão

Escrito por

Ornito Vargas

Há 7 anos na Gazeta

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