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Relato Pessoal

A incansável guerra contra a nostalgia

O texto busca resumir o que se trata o sentimento de nostalgia e as diferenças em seu combate

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Arthur Visconde

4 min de leitura

18 de maio de 2026

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Conhece aquele sentimento de se sentir velho? Ver todas as pessoas com quem você cresceu junto passando para a próxima etapa da vida. Ver seus irmãos crescendo. Seus amigos de infância se formando e trabalhando. Se enxergar perto desse pulo para a vida mais velha. Mais responsabilidade. Mais trabalho. Menos tempo. 


Essa correria do dia a dia te exausta, te estressa. Uma sequência de semanas mergulhadas na faculdade ou trabalho. Te esgota. Em um dos raros momentos de paz, você escuta um silêncio e sua memória te revisita. Em poucos e poderosos minutos, você se teletransporta para um momento onde a vida não era assim. Ela era mais fácil. Mais leve. Não é uma simples memória. Ela mora em um momento específico. Um que você não se lembra há algum tempo. Você se sente nele, escuta as pessoas falando, consegue quase observá-las e tocá-las. Você ri das piadas. Tenta até repetir o que disse naquele momento para aqueles elementos passados rirem com você também. Com o passar do tempo, o próprio vai se acabando. De pouco em pouco, essa memória vai se destacando, voltando para dentro da cabeça, para em algum momento e volta a te lembrar desse tempo antigo. Você finalmente retorna à realidade, acorda do seu sonho acordado. Mãos à obra.


Isso é a nostalgia. Uma revisita. Um aviso do passado. Existem duas opções de sentimentos depois desse despertar. A primeira é a mais comum: o luto. Muitos se sentem sozinhos quando a nostalgia ataca, perdidos, sem senso de felicidade. Encaram essa lembrança da maneira errada. Ao acordar, se enxergam longe daquele sentimento que veio e já passou. Tentam urgentemente voltar. Fecham os olhos, lembram da sua memória. Tudo em vão. Nada a faz voltar. Estes se percebem uma vida longe da que o seu próprio cérebro guardou como ideal.


Outros tentam confrontar a nostalgia de uma segunda forma: como uma celebração. Quando abrem os olhos desse sonho, o enxergam como uma lembrança de que a vida continua. Uma memória de que, mesmo distante da sua realidade atual, isso é a vida que você quer viver. Um boost de energia. Uma lembrança do que você realmente quer levar para frente na sua vida: aquela alegria, aquelas pessoas. É daquilo que você quer viver, não necessariamente o que acontece hoje na sua realidade.  


É muito sutil a diferença entre os dois guerreiros da nostalgia. Um deles fica preso no momento, no tempo. O outro, calejado, se agarra àquilo que compõe o momento. Um é prisioneiro do seu próprio passado. O outro usa ele para construir o seu futuro. O segundo, vive de fato, o primeiro já viveu tudo o que tinha. 


Como você vai guerrear com a nostalgia na próxima vez que ela atacar?


Revisado por Anna Cecília Serrano

Escrito por

Arthur Visconde

Há 5 meses na Gazeta

Aluno de Economia da EESP.

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