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Capital: um romantismo de esquina

Mataram o romantismo Aqui, bem na minha frente, Na principal avenida de São Paulo. Jogaram as pétalas pelo chão E muitos vieram atrás...

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Ana Cristina Rodrigues

2 min de leitura

30 de junho de 2023

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Mataram o romantismo


Aqui, bem na minha frente,


Na principal avenida de São Paulo.


Jogaram as pétalas pelo chão


E muitos vieram atrás para recolher.


Como alguém


Que deu um grande amor


Simbolizado por um buquê.


E a amada?


o desprezou.


Jogou as flores pela Augusta,


Uma pétala em cada bar.


Cada pedaço despedaçado


A boêmia teve que juntar.


E eu nem digo que o assassinato


É crime de quem o amor recusar.


Mas, depois de ficar em pedaços,


São Paulo inteira fez questão de pisar.


E, assim, mataram o amor


Por pensarem que cada pétala


Era sinônimo de amar.


Pegaram a parte pelo todo.


Não que tenha erro


Ver romantismo em linguagem subjetiva,


Mas amor é metáfora, não metonímia.


No máximo, dá para sentir sinestesia.


É que São Paulo vê eufemismos nas hipérboles,


O exagero só existe nas baladas.


A capital só vê romance na madrugada,


E o capital não vê amor em nada.


Mataram o romantismo


E eu lavo minhas mãos.


Minha função, enquanto última romântica,


É assinar esse falso termo de homologação.


Autoria: Ana Cristina R. Henrique


Revisão: Anna Cecília Serrano, Gabriela Veit e Enrico Recco


Imagem de capa: Adaptação de Misc Broken Bouquet - PentaxForums.com

Revisado por Equipe de Revisão

Escrito por

Ana Cristina Rodrigues

Foi da Gazeta por menos de 1 mês

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