Como eu amo ser brasileira!
Junho é o mês dos apaixonados, o mês dos caipiras, mas esse ano, junho é o mês de todos os brasileiros! Elis Suzuki escreve sobre como é bom ser brasileira, especialmente em ano de Copa…

Não tem momento melhor pra escrever um texto sobre isso. 2026 resolveu que ia encher o calendário dos brasileiros em junho. As lojas não sabem se colocam corações, bandeiras do Brasil ou decorações quadriculadas. Na dúvida, a gente se apoia na breguice e joga um pouco de tudo, faz uma gambiarra e arranja um jeito de misturar esses três eventos em um só!
Já passou o dia dos namorados, que por sinal é uma data brasileira, porque a gente se recusa a aderir ao Valentine 's Day e fazer igual todo mundo. O dia do amor, de jantares a luz de velas e de muitos stories no instagram (repudiados pelos solteiros). Mas quem não namora não fica 100% de fora das comemorações: que tal uma saideira dos solteiros pra completar a noite? Até na solidão (ou na liberdade) a gente acha um jeito de comercializar em cima. É o tal do jeitinho brasileiro: arranja solução pra tudo.
Não existe ficar triste no mês de junho, tem diversão pra todo mundo e se todos os seus fins de semana não estão lotados de compromisso, você tá vivendo junho errado (se não tem ninguém te chamando pra fazer um rolê, seja você o amigo que vai marcar).
Sempre falam que festa é coisa de brasileiro: o que a gente faz de melhor. Junho não podia deixar isso de fora, também encontramos por aí as festas juninas (que apesar do nome, na verdade começam em maio e vão até julho). Bandeirinhas espalhadas por toda a cidade, música de quadrilha e muita gente de roupa xadrez… É época de comer milho, canjica, pinhão, bolo de fubá, pamonha, paçoca, pipoca, pé de moleque, maçã do amor e quentão. Fazer maria chiquinha no cabelo, colocar um chapéu de palha e desenhar pintinhas nas bochechas. Pular fogueira e dançar quadrilha, com direito a cobra de mentirinha e uma ponta que quebra e se conserta quase como em um passe de mágica.
Se esse mês você não está só ouvindo músicas brasileiras você está profundamente errado. Para os últimos românticos temos uma chuva de canções: Cazuza, Tim Maia, Marisa Monte, Djavan, Rita Lee e muitos outros cantores se debruçaram em descrever o amor, a saudade, a sensualidade... Para quem quer um forró raiz, minha indicação é Fala Mansa, com eles não tem erro: ouviria Xote da Alegria e Xote dos Milagres em looping por dias. E por último, quem quer sentir o espírito do Brasil para torcer na Copa, temos uma variedade de gêneros exclusivamente brasileiros: o funk, o sertanejo, o samba… O que não falta é música, então nada de ficar só ouvindo Taylor Swift e vivendo a base da síndrome de vira-lata. Inclusive, a síndrome do vira-lata tá proibida nesse mês, viu?
E claro, por último (e mais importante), estamos em ano de Copa. O Brasil, como sempre, parou para ver a Copa do Mundo. Acho que esse é um dos fenômenos mais bonitos da nossa nação, uma vez a cada 4 anos a gente esquece todas as nossas diferenças e torce, grita por um único motivo. O que a eleição separa, só a Seleção consegue unir. Talvez esse ano não estejamos com o time mais forte do mundo (e estamos longe do nosso auge), mas isso não é motivo para diminuir a moral dos brasileiros.
Você não precisa nem mesmo gostar de futebol ou conhecer os jogadores, basta ser brasileiro. Não importa que você não saiba o que é impedimento¹, porque é ou não é falta ou por que o Ancelotti não colocou o Endrick no primeiro jogo contra o Marrocos (relaxa que esse último ninguém sabe, quiçá o Ancelotti, mas mesmo ele, tenho minhas dúvidas). Talvez você também não conheça ou jogadores, mas eu chuto que pelo menos o Neymar é um nome conhecido, né (a não ser que você more debaixo de uma pedra do outro lado da Via Láctea), e por enquanto isso é suficiente, conforme os jogos vão acontecendo você vai pegando os outros nomes.
A verdade é que você só precisa ser brasileiro.
Essa é época de sair de casa só de verde, amarelo e azul, qualquer outra cor é proibida. Em dia de jogo do Brasil você anda pelas ruas e só vê essas três cores. A nossa bandeira vira símbolo de união e força, não de polarização ou disputa. A paixão é tanta que a Nike acha que pode cobrar 750 reais na blusa da Seleção que vai vender (e tem uns malucos que realmente compram). A paixão é tanta que os brasileiros conseguiram lotar a Times Square em Nova York e fazer uma festa de verde e amarelo lá longe. A paixão é tanta que todo mundo sai pro bar pra ficar bebendo e comemorando – e que sacrifício esse aí, né? A paixão é tanta, que até nos orgulhamos do nosso país, o que infelizmente é um sentimento muito raro…
Mas não é só por isso que amo ser brasileira. Nenhum outro país tem uma comida igual a nossa: arroz e feijão, brigadeiro, açaí e pão de queijo são patrimônios nacionais. Nenhuma outra cultura consegue fazer uma bebida tão gostosa quanto a nossa famosa caipirinha (se eu não fosse brasileira acho que teria que ficar sóbria por luto). Nenhuma outra paisagem conta com praias tão maravilhosas e uma fauna tão rica. Nenhuma outra língua conhece a saudade e a despedida – acho que a gente sente mais do que todo mundo. Nenhum outro povo consegue ser tão animado e acolhedor. E repudiando a síndrome de vira-lata, eu não trocaria esse país por nenhum outro lugar: eu amo ser brasileira, hoje, amanhã e sempre.
Eu amo ser brasileira, e qualquer um pode amar também.
¹ E pra quem não sabe, é quando o jogador que está atacando, recebe a bola estando mais próximo do gol do adversária do que a bola e do que o penúltimo defensor (o último sendo o goleiro). Eu acho essa regra nada a ver, mas até aí, eu não jogo futebol e nem sou uma torcedora fiel, então minha opinião pouco importa.
Imagem de capa: Colagem da autora
Revisado por Erick Martins
