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Crônica

Conversando até o amanhecer

Acho que as conversas  que mais gosto são aquelas malucas, Que nos deixam imersas, Desviamos para o caminho que queremos ir, Não tem...

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Elis Suzuki

4 min de leitura

11 de julho de 2025

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Acho que as conversas 


que mais gosto


são aquelas malucas,


Que nos deixam imersas,


Desviamos para o caminho


que queremos ir,


Não tem nenhum objetivo.


Nos perdemos nas tortuosas


linhas das histórias. 


Em fatos incríveis e


em piadas gostosas.


Amo aquelas conversas nas madrugadas, 


Bêbadas de bebida ou somente de sono. 


Conversas com estranhos, simplesmente jogadas,


Ou conversas profundas com meus maiores amores.


Gosto de ouvir sua visão de mundo e a sua visão de mim, 


A sua visão de si mesmo e os seus valores


A primeira vez que me apaixonei, foi por uma conversa, um momento. 


Não por uma pessoa, mas sim por um sentimento. 


Amei sentir que verdadeiramente conhecia alguém. 


Numa madrugada qualquer ficamos conversando até o além,


Nós três tínhamos muitos pensamentos para compartilhar 


e parecia que o assunto nunca iria acabar.


Mas o tempo passava, rápido como o vento


E em certo momento, se deu fim a esse evento. 


Tive que acordar cedo no dia seguinte, só eu, 


Mas eu não liguei, com certeza dormir menos valeu


Valeu para me fazer apaixonar pelas palavras.


Sempre amei as palavras, gosto demais de escrever sobre momentos,


Acho que se não gostasse não estaria aqui debulhando numa folha de papel meus sentimentos 


Gosto de me debruçar sobre um livro, uma história nova, durante um dia inteiro 


e sair dessa experiência me sentindo uma pessoa nova, com um novo roteiro. 


No entanto, mais do que escrever ou ler, amo falar, sem sofrimentos, 


Quem me conhece sabe que eu posso passar horas tagarelando, fazer mil questionamentos. 


Assuntos profundos, conversas divagantes, fofocas quentes, até com o porteiro


Temas políticos e até um papo furado: qualquer motivo para o faladeiro


Falar me diverte e ouvir os outros me encanta, pelas palavras expressamos todos os nossos tormentos, 


não só com as palavras, mas também no jeito de falar e não falar: em todos os movimentos.


Gosto de ouvir os outros e gosto de falar para me expressar, sem ter nada a perder. 


Parece brega, mas eu acredito que a palavra realmente pode ter muito poder. 


É a porta de entrada para nosso eu interior (mesmo quando tentamos esconder). 


As pessoas se perguntam: o que é mais difícil, ouvir ou falar? Eu sou indecisa então não sei responder, 


Deixo para você a questão, com certeza ambos são difíceis de fazer, 


Mas que graça teria se não fosse?


Minha dica é: fique conversando até o amanhecer. Fale e ouça, no final vai valer a pena. Nos apaixonamos por nossos amigos porque são pessoas com quem a conversa flui facilmente. As palavras proferidas te confortam.


Fique conversando até o amanhecer, o sono você recupera mais tarde, a experiência, não. Às vezes vale a pena querer dormir até mais tarde, ou até mesmo não dormir: as melhores conversas são aquelas no tempo roubado. Aquelas que, no dia seguinte, você nem vai lembrar direito sobre o que conversaram, mas o sentimento vai ficar gravado em seu coração. 


Fique conversando até o amanhecer como se não houvesse amanhã. Porque talvez não haja um amanhã para conversar.


Ver o sol nascer junto com pessoas que você ama é uma experiência maravilhosa

Autoria: Elis Suzuki


Revisão: Ana Clara Jabur e Ana Carolina Clauss


Imagem de capa: Acervo da autora

Revisado por Equipe de Revisão

Escrito por

Elis Suzuki

Há 2 anos na Gazeta

Elis Suzuki é estudante de Direito-FGV e redatora da Gazeta.

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