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Relato Pessoal

Defuntamente

Dentro de mim existe uma morte. Mas não como a morte dos contos que ouvia. Nela não existe acaso e nem sorte: A morte do Eu que antes...

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Ornito Vargas

1 min de leitura

23 de outubro de 2020

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Dentro de mim existe uma morte.


Mas não como a morte dos contos que ouvia.


Nela não existe acaso e nem sorte:


A morte do Eu que antes vivia.


É uma morte constante, um ciclo entrópico.


Rejuvenesce-me, assim apenas o novo Eu fica.


Como cresce meu cemitério interno,


De almas que eu tão bem conhecia.


Vejo meus rostos no caixão pleno:


Primeiro como espelho, seguindo em necrópsia.


Flores na mão e um vidro me separando,


Sorrir ou chorar depende do tom que estava cantando.


Já fui peixe que desafia as correntes


Dos juízes brutos e ardentes.


Tentei parar a certeza mortífera.


Mas Deus não dá asas à cobra,


Então fico aos meus e Ela aos seus,


A morte dentro de mim, enfim, são Eus.


– Sca, 18/08/20

Revisado por Equipe de Revisão

Escrito por

Ornito Vargas

Há 7 anos na Gazeta

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