E agora, o que fica?
A Equipe de Redação da Gazeta Vargas reflete sobre os acontecimentos das Economíadas 2026 e propõe um olhar para além dos resultados.
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Em 2025, o alunato GVniano vibrou e celebrou uma vitória há muito ansiada nas Economíadas. O momento, registrado e narrado por esta revista estudantil, fez efervescer o nosso espírito Preto e Amarelo e nos deixou animados para o que o ano seguinte traria. 2026, entretanto, não entregou os resultados que esperávamos. Como sabemos, o evento foi completamente o contrário do que qualquer um dos centenas de alunos da Fundação esperava.
A decepção, claro, é gigante. Para os novatos ou veteranos, ver a FGV amargando um quarto lugar após mais um ano intenso de preparação e trabalho foi devastador. No microcosmo ao qual pertencemos, ganhar ou perder as Economíadas define o apogeu ou a decadência do nosso orgulho, a sobrevivência da nossa cultura universitária e a garantia de continuidade de um manto honrado.
Fato é que, em 2026, cada dia das Economíadas saiu mais errado que o anterior. Não eram esses os fatos que gostaríamos de narrar aqui na nossa Gazeta. Mesmo assim, é importante destrinchar os acontecimentos para responder aquela dúvida que paira no ar para muitos, senão todos, GVnianos: e agora, o que fica?
Neste ano, infelizmente, a Fundação foi protagonista de feitos recrimináveis, estampados em notas de Instagram que, da sexta (17) à terça (21), não pararam de sair. Algo sempre reforçado pelas entidades representativas (que, como o nome indica, têm o trabalho de representar os alunos da nossa faculdade, sem exceção) é que preconceito e discriminação não têm lugar nem nos jogos, nem nas salas de aula, nem em nada ligado à FGV. Mesmo assim, como pudemos perceber, alguns alunos se esqueceram disso. Para além das punições formais que estes receberem – e devem receber –, fica uma mancha na história da faculdade devido a essas ações lamentáveis, que trazem mais do que a perda de pontos: desmantela a missão dos nossos times e representativas e altera a principal função dos jogos, que é unir as pessoas.
Vale ressaltar que essa edição das Economíadas não contou somente com o antagonismo da FGV. Alunos de outras faculdades deram um show de violência, intolerância e preconceito. O que marcou os Jogos desse ano foi, justamente, os absurdos que alguns estudantes cometeram em São Carlos. Foram quatro dias que mostraram o pior lado de determinados alunos das 8 faculdades participantes do Econo. Se em anos anteriores a perturbação à ordem pública nada mais foi do que barulho de fogos ou som alto tarde da noite, nesta edição o que reinou foi a violência, seja ela física, psicológica ou social.
Mesmo assim, a bola rolou. Os apitos marcaram partidas acirradas, motivo principal que fez milhares de alunos vestirem seus abadás e irem rumo ao interior. Em cada quadra, o grito GVniano ecoou, embora um tanto sem compasso e perdido em meio a má vontade de certos GVnianos médios. Felizmente, a força de vontade das bancadas não refletiu nos atletas. Nossos jogadores, nadadores e lutadores deram tudo de si. Como bem sabemos, não foi dessa vez. Os resultados frustraram. Modalidades nos quais nossa GV era quase invicta viraram memória, finais certas ficaram para a ideia e jogos que ansiávamos ver não ocorreram.
Faz parte. Há anos e anos. Em alguns, brilhamos e vencemos; em outros, infelizmente, perdemos. Resultados ruins não alteram o peso da nossa tradição. Mesmo que tenha sido decepcionante – para os que torcem e para os que jogam – a derrota foi o que menos amargou neste Econo.
Claro, não há como não citar o infeliz acontecimento. Na segunda, em meio ao último resquício de esperança GVniana, o fogo que queimou no ginásio levou consigo o último fôlego que alunos, atletas e representativas tinham. Este texto não busca apontar culpados. Isto você, leitor, encontra nas já citadas notas de instagram. A Amor Preto e Amarelo lidará com as consequências do que aconteceu, pronto. Acima de tudo, este texto vem como reforço de empatia para os diretamente afetados, seja o time de Basquete Feminino, sejam os alunos que estiveram em risco.
Felizmente, como uma sorte do acaso, o pior foi evitado. Sem feridos e sem sequelas graves em ninguém, o que resta é lamentar pelo que aquela tarde, em especial aquela partida, poderiam ter sido. Isto é, lamentar pela possibilidade da vitória, pela possibilidade de brilharmos e pela possibilidade de mais arquibancadas cheias, lindas e tranquilas – preenchidas apenas pelo batucar das percussões e gritos roucos dos torcedores. Também não foi assim. Mais do que o vexame, fica na memória o trauma de ver queimando naquela chama o orgulho GVniano. De novo, faz parte. Há anos e anos.
Reitero: tivemos sorte. Precisamos celebrar que não houve feridos. Mesmo que o orgulho tenha saído prejudicado, nos resta erguer a cabeça e seguir. Voltar ao trabalho, seja para reorganizar as táticas de jogo, correr atrás para se redimir dos erros ou colocar todo o esforço para garantir uma linda edição em 2027. Cada um tem seu papel, e este deve voltar a ser cumprido com maestria.
Portanto, após esse escrutínio de uma edição ruim de Jogos, a resposta é clara: o que fica é o aprendizado. Para todos. Quando o dia amanhece, vem o Sol em seu prenúncio de esperança. Então, imaginemos um Sol, um novo dia, para fazer as coisas diferentes. Com certeza, cada um dos envolvidos nas Economíadas teve um aprendizado nesta edição. E é isso, as lições, que deve servir de combustível para mais luta, mais garra e, consequentemente, mais vitórias.
O que fica depois de tudo também é a expectativa, é o treino intenso para se superar, são as longas horas de reuniões de estratégia e planejamento. É o contar dos segundos no relógio para, mais uma vez, entrar em um ônibus rumo ao interior e, de preto e amarelo, cantar, jogar e torcer pela GV.
Aos nossos brilhantes atletas, orgulhem-se do que vocês representam. A derrota faz parte do jogo. Ano que vem é outra chance de brilhar. À nossa Atlética, lembre-se das duas estrelas que carregamos, fruto do árduo trabalho até aqui, elas nos mostram que a caminhada é longa, mas vale a pena. À torcida, o que aconteceu não diminui a importância de se torcer e vibrar pela nossa Fundação. Encarar o futuro e os amargores de nossas ações faz parte, também, de buscar a grandeza. À bateria Tatubola, que por mais um ano vocês cheguem com sua magia em São Carlos e façam tremer cada degrau das arquibancadas. Ao alunato, que vocês consigam recuperar o brilho de pertencer e de representar nossa faculdade e que 2027 traga ainda mais gás para uma bela edição de Jogos.
2026 definitivamente não foi o ano da FGV. Mesmo assim, não são os resultados negativos nas partidas, a frustração de ver nossos grandes campeões saindo sem medalhas ou lamentáveis incidentes de arquibancadas que diminuem a grandeza do nosso esporte, o esporte GVniano, feito a muitas mãos, dos atletas e técnicos, da gestão da AAAGV e os dos torcedores e percussionistas.
Em meio ao sufoco que o esporte universitário passa, denunciado há tempos pelos interessados, é importante que nos recolhamos e recalculemos a rota. Entender o que levou ao erro nos ajudará a evitá-lo no futuro. Que o passe errado, a mão na rede ou a bola fora só sejam memórias distantes nos anos seguintes. Que a pirotecnia em mãos erradas seja melhor pensada futuramente. Que a magia do esporte universitário, do esporte da FGV, volte a pairar no ar. Para além das resoluções formais, que este ano de baixas sirva para que voltemos mais fortes e com mais garra na próxima edição, mostrando todo o amor ao jogo e a Fundação que compartilhamos, vestindo preto e amarelo e lembrando do peso da nossa escola de tradição.
Imagem da capa: AAAGV
Revisado por Erick Martins e Pedro Anelli Bastos