Editorial
A Gazeta Vargas transmite a sua preocupação diante das ameaças, ataques e ofensas direcionadas à entidade e aos seus membros nos últimos dias.
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Nos últimos dias, a Gestão da Gazeta Vargas tomou conhecimento de uma série de mensagens ofensivas à sua Diretoria e aos seus membros em canais de comunicação de uma das entidades da FGV-SP. Os comentários seriam motivados pela publicação de nossa última Ouvidoria Vargas, que repercutiu as impressões do alunato acerca das Economíadas. Dentro desse cenário, julgamos mais do que necessário vir a público nos manifestar.
Em primeiro lugar, ressaltamos o papel histórico de nossa entidade. Fundada em 1998, em continuação ao Jornal Nove de Julho, a Gazeta acompanhou todo o crescimento e expansão da FGV nas últimas décadas. Ao longo de toda essa história, cumprimos, com muita responsabilidade, um único objetivo: levar informação e entretenimento de qualidade ao alunato. Uma meta inalcançável senão por meio da âncora em um pilar essencial: a liberdade de expressão. Sempre defendemos e continuaremos defendendo que todos devam ser escutados dentro de um espaço plural e democrático, como é a Fundação. E isso vai além do grupo de pessoas que compõem nosso quadro de membros, isso inclui todas e todos aqueles que fazem parte da FGV – ou ainda que, mesmo fora dela, reconhecem a relevância do nosso movimento estudantil e desejam contribuir com ele.
É desse compromisso que surge a Ouvidoria Vargas. Um dos quadros mais icônicos de nossa revista, colhe as impressões do alunato e as repercute em formato de texto. Exclusivamente isso. Com a Ouvidoria, não se pretende de forma alguma apresentar uma visão institucional da Gazeta ou de seus membros. Pretende-se unicamente jogar luz sobre as reclamações e anseios do alunato. Não é de hoje que a Gazeta é reconhecida pelo seu trabalho histórico quanto a isso. Recebemos com muita honra e orgulho a confiança depositada pelo alunato em nossa Ouvidoria como um de seus canais para confidenciar as suas frustrações. É em nome desse valor que seguimos e continuaremos com a Ouvidoria Vargas.
Temos, acima de tudo, um compromisso com a liberdade de expressão, a verdade e a paridade entre todos os que estejam envolvidos em conflitos expostos pela Gazeta. E é por isso que as entidades e outros sujeitos envolvidos nos relatos também continuarão tendo seu devido espaço de direito de resposta em nossas publicações.
Críticas ao nosso trabalho são bem-vindas: nosso jornal estudantil não é insuscetível a erros. Somos formados pelo trabalho de dezenas de mãos humanas tão falíveis quanto quaisquer outras. Não à toa, estamos constantemente em contato com as demais entidades, consolidando a permanência de canais de diálogo saudáveis. Sempre fomos alvos de apontamentos; sempre consideramos eles. Ano após ano, nosso trabalho segue sendo aprimorado, seja com revisões mais criteriosas de nossos textos, designs mais criativos de nossas publicações audiovisuais ou com a profissionalização de nossos segmentos institucionais. Sabemos que ainda temos muito a melhorar e estamos abertos a isso. No entanto, o respeito ao nosso trabalho, aos nossos membros e à livre manifestação do alunato seguem sendo inegociáveis.
É inestimavelmente lamentável que uma entidade se sinta tão alheia às críticas a ponto de seus membros ameaçarem a integridade física daqueles pertencentes à Gazeta Vargas. Incendiar uma de nossas publicações físicas e publicar essa ação nas redes sociais, ainda que represente um ato meramente simbólico, traz sérias repercussões no mundo real. A violência ali instigada não nos ofende pelo mero ato, mas sim pela tentativa de queimar a nossa história e a livre manifestação de um alunato insatisfeito com os acontecimentos nos Jogos Universitários. E mais: sugerir a agressão de membros da Gazeta Vargas em grupos de WhatsApp, além de ataques virtuais à nossa Diretoria e ao nosso site, configuram graves ameaças. Não é brincadeira defender o “sumiço” da Presidente de nossa entidade.
Reiteramos também o orgulho da diversidade das pessoas que compõem a Gazeta. Não serão toleradas quaisquer formas jocosas e preconceituosas de se referirem aos nossos membros, especialmente àquelas que atentem contra a sua identidade de gênero. É devido à diversidade que a Gazeta pôde apresentar manifestações tão plurais ao longo de sua história. Aqui, todas e todos serão respeitados independente de quem eles são.
Pedimos mais uma vez, por fim, respeito. Independentemente das ofensas e das ameaças, a Gazeta continuará fazendo o seu trabalho. Seguiremos ouvindo as alunas e os alunos da Fundação. Permaneceremos dando voz para que projetem seus anseios. Persistiremos levando a eles assuntos de interesse público. Apenas pedimos respeito.
Imagem da capa: Redes sociais
Revisado por Equipe de Revisão