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FGV

Episódio de discriminação: Pré-Econo foi marcado por caso de racismo

Na ida a São Carlos, em 17 de abril, uma discussão entre integrantes da Bateria Tatubola e da APA contra alunos da ESPM acabou em mais um episódio de discriminação.

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Ornito Vargas

6 min de leitura

14 de maio de 2026

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A última edição das Economíadas não ficou marcada apenas pelo anseio frustrado da FGV em retornar campeã do interior. Ainda no trajeto a São Carlos, no último dia 17 de abril, uma discussão entre integrantes da Bateria Tatubola e da Torcida Amor Preto e Amarelo (APA) contra alunos pertencentes à Força ESPM, torcida organizada da instituição, e à Baterilson, bateria também da ESPM, teria acabado em mais um capítulo de discriminação nos jogos universitários. 


Conforme relatado à Gazeta por estudantes presentes no ocorrido, o bate-boca teria iniciado com o encontro das duas torcidas em um posto de combustíveis e serviços de conveniência rodoviário. Os alunos teriam descido no local como parte de uma pausa na viagem entre São Paulo e São Carlos, o que teria dado início à discussão.


O episódio logo ganhou repercussão no alunato, em meio à suspeita de que um membro da Bateria Tatubola teria feito um comentário racista contra uma aluna pertencente à ESPM. No dia seguinte ao ocorrido, a Bateria, em nota publicada no Instagram, afirmou que “determinou o desligamento do membro das Economíadas”. Com isso, o membro envolvido teve seu retorno a São Paulo determinado ainda na ida aos Jogos Universitários. 


Dada a gravidade dos fatos narrados, a Gazeta Vargas procurou a Força ESPM para entender como as entidades envolvidas lidaram com o ocorrido. Assim, de acordo com a  Presidência da Torcida, a discussão teria se iniciado em meio a provocações da APA contra os seus membros. Nesse cenário, teria havido o envolvimento de um membro da Tatubola na disputa contra dois membros da Força e uma da bateria da ESPM. Foi nesse momento que o membro da Bateria da FGV teria afirmado que iria “acorrentar” os alunos da ESPM, sendo a membra da bateria negra.


Ainda conforme a Presidência da Força ESPM, a princípio, apenas a membra da Baterilson teria percebido o cunho racista da fala do membro da Tatubola, retirando-se da discussão frente ao ocorrido. Minutos mais tarde, no entanto, teriam notado que a fala seria racista e procuraram os alunos da APA e da Tatubola para conversar a respeito, porém, os GVnianos teriam começado a recuar para o ônibus. Isso não impediu que uma troca rápida de palavras acontecesse, mas que não foi adiante em razão do retorno das representativas da FGV aos seus ônibus. Por outro lado, a Bateria Tatubola afirmou à Gazeta que o retorno aos ônibus teria sido motivado pelo escalonamento da confusão, inclusive, em meio a alunos alcoolizados. Desse modo, apenas teriam tido notícia das acusações de racismo quando já haviam retornado à estrada.


Com isso, a principal preocupação inicial da Força ESPM e da Baterilson teria sido o acolhimento da membra da bateria, que pensava que a fala teria sido direcionada a ela. O ocorrido teria afetado diretamente seu psicológico em meio ao início dos Jogos, precisando de um apoio maior dos membros da Força e da Baterilson. 


A Gazeta também perguntou à Presidência da Força ESPM se a APA e a Tatubola teriam procurado a entidade para conversar sobre o acontecimento. Em resposta, a Força destacou que as entidades gvnianas a procuraram no dia seguinte e que, mesmo durante os  Jogos – momento incomum para tais conversas entre o alunato de universidades concorrentes –, entenderam que a situação teria ultrapassado o limite esportivo, por envolver uma fala racista, e decidindo aceitar a conversa. 


Dessa forma, o diálogo ocorreu ao lado de fora da competição da natação e contou com a presença do Conselho da APA e da Tatubola. A Força ESPM classificou o momento como uma “conversa aberta”, na qual a Torcida e a Bateria teriam explicado as providências já adotadas em relação ao seu membro, incluindo o afastamento dele; determinado o retorno a São Paulo; e proibido de permanecer no alojamento; além de, eventualmente, poder ser desligado permanentemente da Bateria – como, de fato, teria ocorrido posteriormente. 


A Força ainda destacou que a APA teria desejado conversar diretamente com a membra afetada pela fala racista, que optou por não conversar no momento por ainda estar abalada com o ocorrido, sem desejar que fosse exposta mais uma vez. A Torcida e a Bateria da FGV também teriam oferecido suporte jurídico à Força, colocando-se à disposição para ajudar no que fosse necessário e conduzir a situação da forma mais correta possível. Ressalta-se também que, ao longo do primeiro dia das Economíadas, a APA e a Bateria Tatubola também fizeram cinco minutos de silêncio no início de cada partida que estiveram presentes em respeito ao ocorrido. 


Procurada pela Gazeta, a Gestão da Bateria Tatubola confirmou a expulsão do membro, indicando que seu desligamento da entidade e a sua exclusão dos canais de comunicação da Tatubola ocorreram imediatamente ao fim das Economíadas e o retorno de todos a São Paulo. Seus diretores ainda afirmaram que estariam formulando uma série de outras providências antirracistas, em parceria com o Coletivo 20 de Novembro. 


Questionada acerca de quais seriam essas medidas concretas, a Diretoria da Bateria Tatubola alegou preferir informar diretamente o alunato de sua decisão. Ainda, por fim, esclareceram que a adoção de tais medidas deve ocorrer com o retorno de membros da Gestão de uma viagem acadêmica. 


Imagem da capa: AAAGV

Revisado por Equipe de Revisão

Escrito por

Ornito Vargas

Há 7 anos na Gazeta

Usuário não possui biografia

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