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Relato Pessoal

Gerações

foi nos acordes do seu violão que eu escutei música pela primeira vez, como se cada fio do seu cabelo branco carregasse consigo um novo...

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Ornito Vargas

2 min de leitura

24 de agosto de 2022

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foi nos acordes do seu violão que eu escutei música pela primeira vez, como se cada fio do seu cabelo branco carregasse consigo um novo acorde


era sempre uma sinfonia desorganizada que passava pelo adoniran, cruzava o gonzaga e acabava no jobim


foi no seu abraço que eu aprendi o que era o carinho, como se o afeto andasse escondido nas suas mãos já desgastadas pelo tempo


como se seus dedos escrevessem em minhas costas a história de épocas que eu não vivi


foi no seu jardim que eu aprendi o gosto do amor e da amora, que eu conheci o cheiro das flores e encontrei um lugar de sossego meio às dores


foi aonde eu plantei os caroços das pitangas esperando que, um dia, eles se transformassem em novas frutas, apenas para não ter que esperar a próxima primavera para colhê-las com você


foi pelos seus olhos já cansados que eu enxerguei o passado, pelos seus ouvidos delicados que eu escutei o som do presente e pelos seus dedos ásperos que eu senti o futuro


foi na sua alegria que eu aprendi a rir e, nas suas batalhas, que eu aprendi a lutar


Autoria: Victorya Pimentel


Revisão: André Rhinow


Imagem de capa: Lusia Ivanova em artmajeur

Revisado por Equipe de Revisão

Escrito por

Ornito Vargas

Há 7 anos na Gazeta

Usuário não possui biografia

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