top of page
FGV

Incidente na Semifinal: Entrevista com Basquete Feminino

Após a interrupção da semifinal do Basquete Feminino entre FGV e ESPM nas Economíadas no último dia 20...

IMG_0955.jpeg

Ornito Vargas

10 min de leitura

6 de maio de 2026

767c98_0ad94c104822456680342c1363c46344~mv2.png

Após a interrupção da semifinal do Basquete Feminino entre FGV e ESPM nas Economíadas no último dia 20, no ginásio Santa Felícia, em São Carlos, a equipe da FGV viu sua trajetória no campeonato ser encerrada de forma atípica. O time estava em vantagem de 10x4 no primeiro quarto quando um princípio de incêndio gerou a paralisação da partida, que não foi retomada nem remarcada, resultando na atribuição de W.O. à equipe. O episódio desencadeou uma série de manifestações públicas e abriu espaço para debates sobre responsabilidade, segurança e o real espírito esportivo.


A Gazeta esteve presente no momento do ocorrido e acompanhou de perto os desdobramentos da situação. Diante da complexidade e da delicadeza do caso, buscamos o Basquete Feminino para entender como as atletas estão lidando com o episódio, tanto dentro quanto fora de quadra. Em resposta, as integrantes Nina Neves, Gabi Ferraz e Lara Salviano nos concederam o seguinte depoimento:


Durante a semifinal contra a ESPM, no ginásio Santa Felícia, o jogo foi interrompido após um princípio de incêndio. Dentro de quadra, como vocês vivenciaram aquele momento? Tanto em termos de percepção de risco quanto de comunicação com arbitragem e organização.


Durante o início do incêndio, estávamos em um tempo técnico, reunidas com o nosso treinador, o que fez com que demorássemos alguns segundos para entender o que estava acontecendo. Quando percebemos a situação, nos organizamos rapidamente em fila para sair da quadra pela saída mais próxima ao nosso banco.


No entanto, ao tentarmos deixar o ginásio, encontramos a saída bloqueada pela torcida da ESPM, que não demonstrou qualquer senso de urgência diante de um cenário de risco. Nossa técnica e a equipe de fisioterapia precisaram se colocar à nossa frente para abrir caminho, empurrando a multidão para garantir a nossa saída.


Enquanto tentávamos atravessar a torcida, fomos alvo de xingamentos e comentários desrespeitosos. Em vez de colaborarem para a evacuação, muitas pessoas dificultaram a nossa passagem, trataram a situação com desdém e chegaram a encará-la como uma oportunidade de hostilizar o nosso time, ignorando completamente a gravidade do que estava acontecendo.


Além disso, houve uma ausência total de organização e de auxílio por parte da equipe responsável pelo evento. Em nenhum momento recebemos orientação clara ou suporte para deixar o local em segurança.


Após o incidente, o jogo não foi remarcado e a vitória foi atribuída à ESPM por W.O., a partir de um pedido da própria equipe adversária. Como essa decisão chegou até vocês?


A decisão pelo W.O. nos foi comunicada por dois membros da Atlética aproximadamente 10 minutos após o ocorrido, enquanto ainda estávamos do lado de fora do ginásio aguardando alguma definição.


Fomos informadas de que o pedido de W.O. havia sido uma decisão da equipe da ESPM e que a única possibilidade de reversão seria um acordo entre os dois times para a realização da partida em outro momento.


Diante disso, buscamos ativamente o diálogo com a equipe adversária, com o objetivo de encontrar uma solução que permitisse que o jogo fosse decidido em quadra. Inicialmente, fomos informadas pela própria Atlética da ESPM de que o time não tinha interesse em conversar conosco. Ainda assim, insistimos no contato direto, mas a equipe manteve a decisão de não jogar, encerrando qualquer possibilidade de reversão do W.O.


A decisão pelo W.O. partiu de um pedido da ESPM, o que também influencia a leitura esportiva do episódio. Como vocês enxergam essa postura da equipe adversária? Houve algum contato entre os times após o ocorrido e vocês acreditam que existia espaço para uma solução alternativa que preservasse a disputa em quadra?


Desde o início, deixamos claro que nosso interesse era preservar o jogo e disputar a semifinal dentro de quadra. Apresentamos diferentes alternativas para que a partida pudesse acontecer, mesmo após o ocorrido.


Após diversas tentativas, conseguimos contato com a equipe da ESPM, mas encontramos uma postura hostil e pouco aberta ao diálogo. A decisão de não jogar foi mantida com base em argumentos estratégicos relacionados à pontuação geral do campeonato, desconsiderando completamente o contexto do que havia acontecido e o fato de que o basquete feminino não teve qualquer envolvimento com o incidente.


Na prática, não houve distinção entre ações individuais ligadas à APA e o time que estava em quadra, que foi diretamente penalizado por algo totalmente fora do seu controle.


Foi uma decisão completamente incompatível com os princípios do esporte. Optar por vencer por W.O. em um contexto como esse não é uma atitude esportiva, nem um posicionamento de atletas que valorizam a competição. É uma escolha que prioriza vantagem a qualquer custo, ignorando o que deveria ser central em qualquer disputa, que é o jogo em si.


Após a conversa, nos retiramos do local de forma respeitosa, visivelmente abaladas com a situação. Em paralelo, a equipe adversária seguiu comemorando a decisão, com registros online e manifestações que reforçaram ainda mais o desrespeito com o momento e com o que estava acontecendo ao nosso redor.


Em paralelo, a Atlética também publicou uma nota atribuindo a responsabilidade à Torcida e afirmando que tomou as medidas possíveis para a continuidade da partida. O time se sentiu representado por esse posicionamento institucional e houve diálogo direto entre vocês, Atlética e APA após o ocorrido?


Em relação à APA, apesar de ter havido um posicionamento nas redes sociais assumindo a responsabilidade pelo ocorrido, sentimos falta de um contato direto com o time. Faltou um diálogo aberto e sincero, que demonstrasse não apenas arrependimento, mas também uma compreensão real da gravidade e do risco da situação que vivenciamos. Mais do que uma manifestação pública, esperávamos uma postura mais próxima, com escuta ativa e um movimento concreto no sentido de garantir que algo assim não volte a acontecer.


Já em relação à Atlética, após sermos informadas sobre o W.O., cerca de 10 minutos depois da interrupção da partida, passamos as seis horas seguintes tentando, ativamente, resolver a situação. Fomos atrás da Atlética, da equipe organizadora e de todos os envolvidos possíveis, buscando uma solução que fosse justa para o jogo.


Ao longo desse período, enfrentamos uma série de comunicações desencontradas e contraditórias, com diferentes versões sendo apresentadas ao longo do tempo, o que dificultou ainda mais o entendimento do que estava acontecendo. Além disso, também identificamos situações que indicavam inconsistências na aplicação do regulamento durante esse processo.


Apesar de sempre termos mantido uma boa relação com a Atlética, inclusive com integrantes do próprio time fazendo parte dela, sentimos falta de alinhamento e de uma condução mais clara e consistente naquele momento. Foi uma situação extremamente desgastante, em que tivemos que insistir repetidamente por respostas e encaminhamentos.


Agora, tivemos um diálogo mais estruturado com a Atlética e estamos, neste momento, trabalhando em conjunto para garantir que medidas sejam adotadas e que uma situação como essa não se repita.


É mencionado nas redes que o Basquete Feminino considera a possibilidade de não participar de futuras edições do Economíadas. Isso é verdade? Caso sim, o que precisaria mudar, concretamente, para que essa decisão fosse revista?


Existe, sim, essa possibilidade, mas esse não é o nosso foco no momento.


O que buscamos agora é garantir que mudanças reais aconteçam. Isso passa por medidas claras, como a proibição efetiva de pirotecnia, melhor organização das torcidas, cumprimento rigoroso do regulamento e, principalmente, a revisão das regras para que não fiquem abertas a interpretações em situações críticas.


Mais do que uma decisão sobre participar ou não, trata-se de garantir que o ambiente esportivo seja seguro, justo e levado a sério.


Além da eliminação, o time lidou com uma situação atípica e potencialmente perigosa dentro de uma semifinal. Como esse episódio afetou o grupo emocionalmente nos dias seguintes?


Nos dias seguintes ao ocorrido, o grupo ainda estava bastante abalado. Ficamos chocadas com tudo o que aconteceu e muito chateadas com a falta de segurança em um evento desse porte.


Também nos marcou o fato de que pessoas que estavam ali apenas para apoiar, sem qualquer envolvimento com a situação, tenham sido expostas a esse tipo de risco. É difícil aceitar que um ambiente que deveria ser seguro tenha colocado tantas pessoas em uma posição vulnerável.


O sentimento que ficou foi de frustração e desmotivação em relação ao esporte, principalmente por ver que algo construído com tanto esforço terminou dessa forma.


Qual a principal mensagem sobre o ocorrido que o Basquete Feminino quer transmitir para o alunato?


Reforçamos que é fundamental priorizar a segurança de todos em qualquer tipo de jogos universitários. Além disso, relembramos a todos que o Economíadas deve ser, acima de tudo, sobre o esporte.


É preciso resgatar esse espírito competitivo e priorizar o esporte em primeiro lugar. Não pode se tornar uma disputa a qualquer custo entre atléticas, em que saldo de pontos e interesses estratégicos passem a valer mais do que o jogo em si.



Revisado por Pedro Anelli Bastos

Escrito por

Ornito Vargas

Há 7 anos na Gazeta

Usuário não possui biografia

IMG_0955.jpeg

Últimas Notícias

Textos Populares

bottom of page