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Crônica

Momentos em que a vida parecia ter trilha sonora

Nas cordas de um ukulele Um sofá pequeno, uma estante de livros, um ukulele. Eu e você. Clarisse Falcão, Taylor Swift, aquele artista que...

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Sofia Nishioka Almeida

3 min de leitura

3 de setembro de 2023

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Nas cordas de um ukulele


Um sofá pequeno, uma estante de livros, um ukulele. Eu e você. Clarisse Falcão, Taylor Swift, aquele artista que você adora e aquele cujo nome já esquecemos. Você erra os acordes e eu canto desafinada, perfeita sinfonia da amizade à meia noite. Mil e uma partituras, músicas pela metade, risadas que ainda ecoam pelas paredes da minha casa. Ouço seus dedos dedilhando, ouço os acordes se formando, ouço sua voz cantando, ouço música, ouço música, ouço música…


No som da festa


Ouço música ainda nos meus ouvidos, como se os tivesse esquecido abandonados na festa. Ando pela rua com amigas, dançando e rindo, dando piruetas ao ritmo de uma batida que já desaparece ao fundo. Talvez seja a bebida, talvez a simples euforia de uma noite divertida, ou talvez o mundo só fique mais bonito na calma da manhã, ao gosto de batata frita no esperar do sol raiar.


Nos grãos de areia


Sol raiar na praia no primeiro dia de um novo ano ao som de boas conversas, ondas e uma ampulheta. A areia parece fazer graça, me lembrando que o tempo passa, me lembrando das tradições que têm pressa em acabar. Ao pular as sete ondinhas, peço por mais dias assim, na praia, sentada ao seu lado.


Nas coxias do teatro


Sentei ao seu lado por acaso, um rosto familiar com um livro na mão. Ficamos um pouco assim, você no seu livro e eu no meu, esperando o primeiro ato acabar. Não costumo gostar do silêncio, ele convida inquietações a sapatear na minha cabeça, mas seu silêncio harmoniza com o meu, convidando bailarinas a dançar.


"Tendo a lua


Aquela gravidade aonde o homem flutua


Merecia visita não de militares


Mas de bailarinos e de você e eu" - toca a música do Paralamas ao fundo.


"É bom o livro?'. Já nem lembro qual de nós tocou essa primeira nota, mas logo embarcamos nesse dueto de pianistas. Improvisando notas, acordes em um jazz perfeito.


Ato final


Um jazz perfeito toca ao final de um filme e meu pai brinca que a vida devia ter trilha sonora. Talvez o mundo realmente seja silencioso demais. Mas, quando paro para escutar, há momentos cujas entrelinhas parecem escrever partitura digna de sinfonia, música que transforma qualquer experiência mundana em cena de filme.


Autoria: Sofia Nishioka Almeida


Revisão: Gabriela Veit Barreto e Enrico Recco


Imagem de capa: Imagem de Freepik

Revisado por Equipe de Revisão

Escrito por

Sofia Nishioka Almeida

Foi da Gazeta por menos de 1 mês

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