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O peso de atlas

Atlas, vire-se de lado enquanto eu carrego o peso do céu Não deixe, sem nenhum recado que o peso espante algum favo de mel Na flor...

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Ornito Vargas

2 min de leitura

23 de agosto de 2022

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Atlas, vire-se de lado


enquanto eu carrego


o peso do céu


Não deixe, sem nenhum recado


que o peso espante


algum favo de mel


Na flor restante,


um sinal de pureza,


sinal de alegria


em tanta tristeza


Do choro que pede


para ser criança,


angústia que exige


maior esperança


Por que o inexplicável


se mostra instável


e te torna assim?


Não deixe que saibam,


pois já não lhe falam


se é bom ou ruim


Atlas,


me ensine o que sabe,


não deixe que eu acabe


com o mundo em mim


Me mostre


a parte do mar


onde ousa sonhar


com o mais novo capim


Com flores


de todos sabores


que em meio a suas cores


não falam, por fim


O segredo


para florescer


quando não parecer


ter mais sol no jardim


Atlas,


me ensine a parar


quando não aguentar


mais o sol amarelo


Raiando


em minha direção


com sua radiação


sem seu olhar singelo


Que destrói


o mais forte dos deuses


sem ver que, às vezes,


o forte não é belo


O forte


é seguir em frente


mesmo que seu norte


lhe saia da mente


É seguir


com a cabeça erguida


mesmo que a saída


não seja evidente


O belo


é o saber sincero


e a humildade eterna


em pura harmonia


Em Atlas,


é achar no peso


e em qualquer desprezo


uma nova poesia


Autoria: Thomás Furtado Danelon


Revisão: Beatriz Nassar e André Rhinow


Imagem de capa: Atlas de Michael Creese

Revisado por Equipe de Revisão

Escrito por

Ornito Vargas

Há 7 anos na Gazeta

Usuário não possui biografia

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