top of page
Mundo

O sonho acabou?

Há 55 anos, numa quarta-feira, 8 de abril de 1970, as lojas de discos de toda a Inglaterra recebiam os primeiros lotes de Let It Be ....

IMG_0955.jpeg

Pedro Anelli Bastos

4 min de leitura

4 de junho de 2025

767c98_0ad94c104822456680342c1363c46344~mv2.png

Há 55 anos, numa quarta-feira, 8 de abril de 1970, as lojas de discos de toda a Inglaterra recebiam os primeiros lotes de Let It Be. Dois dias depois, no dia 10, Paul McCartney anunciava à imprensa que não trabalharia mais com os Beatles – e assim, de repente, chegava ao fim a maior banda da história.


Existem dois pontos a serem revistos neste último postulado: o primeiro deles diz respeito à expressão “de repente”. Àquela altura do campeonato, os Beatles já não eram a mesma banda há tempos – e não digo apenas na questão musical. Refiro-me, em especial, às relações pessoais. Seja pela dificuldade de lidar com a fama, ou pelos egos inflados e cada vez mais conflitantes de Lennon e McCartney (e, consequentemente, os reprimidos de Harrison e Starr), a verdade é que as relações entre os quatro garotos de Liverpool já não estavam mais nos seus melhores dias.


A outra questão, essa ainda mais destacada, se refere ao dito “fim dos Beatles”. Será que devemos adotar a mesma postura de John Lennon em seu primeiro álbum solo e simplesmente aceitar que “o sonho acabou”? Ou será que existe algo a mais a ser refletido sobre esse assunto?


Esses dois pontos podem convergir em uma só análise: quando, afinal, os Beatles acabaram? Foi quando George admitiu “desistir de ser um Beatle” em 1966? Ou foi quando Brian Epstein, empresário e um dos principais pilares de funcionamento da banda, faleceu? Foi depois das viagens à Índia, ou logo quando os shows ao vivo foram cortados? Será que só o fato de Paul ter se afastado declara o fim da banda? E quando foi Ringo? E quando foi George? E quando foi John, fundador do grupo?


Só porque Let It Be é o último álbum de estúdio significa que ele determina o fim de tudo? E as músicas “póstumas” lançadas para o documentário The Beatles Anthology? É possível, então, argumentar que os Beatles acabaram de fato em dezembro de 1980, com o trágico assassinato de John Lennon, impedindo de vez uma reunião efetiva da banda. Sendo assim, onde entra, então, Now and Then, música lançada em 2023 que permitiu, com o uso de tecnologias, uma última performance de Lennon e McCartney?


O que se quer dizer, então, com todo esse papo de “fim dos Beatles”? A separação realmente foi um fim?


A resposta para isso está, como diriam os próprios, “aqui, ali e em todo lugar”. Basta olhar para a quantidade de pessoas que sonham em atravessar uma simples faixa de pedestres em Londres; quantas playlists de amor contém Something; quantas pessoas apresentam suas crianças ao Submarino Amarelo; quantas técnicas de gravação, que funcionam como bases para a música pop atual, não existiriam sem eles; quantos vídeos no TikTok têm Eleanor Rigby de fundo, mesmo que os autores desses vídeos nem saibam que essa música é dos Beatles – a música mais regravada do mundo inteiro é deles!


Os Beatles não acabaram do dia para a noite; seu legado continua vivo e presente entre nós – muitas vezes, em lugares onde nem esperamos encontrá-los. Desde os anos 1960, os Beatles vêm mudando o mundo, e não pretendem parar tão cedo. Nas palavras de Brian Epstein: “Não há nenhuma banda como eles, e nunca haverá, em toda a eternidade. Eu garanto, aqui, em 1965, que as crianças do ano 2000 ainda estarão ouvindo os Beatles”.

Revisado por Equipe de Revisão

Escrito por

Pedro Anelli Bastos

Há 10 meses na Gazeta

Estudante de Direito na FGV, sou Diretor de Revisão, redator e membro de Recursos Humanos na Gazeta. Apaixonado por livros, música, filmes e natureza :)

IMG_0955.jpeg

Últimas Notícias

Textos Populares

bottom of page