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Onde eu nunca estou são, São Paulo

Eu sinto o efeito desses bares cheios de almas tão vazias Beijando meus lábios. Te sinto, São Paulo. Inconsciente por essa pegada, Você...

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Ana Cristina Rodrigues

3 min de leitura

24 de outubro de 2022

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Eu sinto o efeito


desses bares cheios de almas tão vazias


Beijando meus lábios.


Te sinto, São Paulo.


Inconsciente por essa pegada,


Você me preenche com tudo que pode me prometer:


nada.


Me envolve, me encanta,


Tem tanto que me ganha.


E me gira feito valsa em sua mão.


Viro-me nos caminhos


dessa sua imensidão;


Puxa o meu braço e


me dança,


Enquanto eu ainda tô(,) São.


Me silencio para ouvir sua verdade,


Mas só grita a vaidade


E eu me mudei nessa cidade.


Fico presa


Nestes seus braços tão soltos


Que só pregam liberdade.


Te silencio, São Paulo,


Sou eu que me prendo.


E eu que me rendo


Porque não te compreendo.


Enquanto me mato vivendo,


Te vivo, São Paulo.


Não larga o meu pensamento,


Te vejo a todo momento,


Mas eu nunca conheci os seus detalhes.


Enquanto invade minha boca,


Domina o meu coração


E meus pés já moram no seu chão.


A gente nunca se morou, São Paulo.


Em meio a essa dança,


Você me fez criança


E eu perdi a minha vida.


Me enlaça e me encanta


Que eu me sinto acolhida.


Mas você me consumiu,


O seu beijo era vil,


Você me deu o que nunca existiu.


Por você tive apreço,


Logo por ti, que me deu preço


E me viu como outros mil.


Santo Paulo estava bem na minha frente,


Mas foi meu entorpecente


E em nenhum instante eu ouvi:


Que a nossa dança


Era uma marcha fúnebre constante.


Sem amém,


Já que aqui não há amor em ninguém,


Esse santo não me livrou do mal por um instante,


Fazendo o inferno e o paraíso nesse local também,


E eu sequer cometi pecados para estar aqui.


Por não saber rezar,


Te peço que interceda,


Que me perceba


Em sua arquitetura hostil.


É, eu sou só mais uma no Brasil.



Revisado por Fernanda Abdo e Lucas Tacara

Escrito por

Ana Cristina Rodrigues

Foi da Gazeta por menos de 1 mês

Ana Cristina, aluna de Administração Pública da turma de 2022, vem de Sorocaba-SP. Com uma abordagem poética, seus textos transitam entre o cotidiano universitário e dilemas de pertencimento social.

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