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Relato Pessoal

Quadra chuvosa

Ando chorosa. Sinto que vou desabar em um vendaval de lágrimas  qualquer noite dessas. Cair em gotas d’água salgada no cume da serra, no...

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Ornito Vargas

1 min de leitura

8 de outubro de 2024

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Ando chorosa.


Sinto que vou desabar em um vendaval de lágrimas 


qualquer noite dessas.


Cair em gotas d’água salgada no cume da serra,


no meio do mar, 


no asfalto quente, 


na folha do cajueiro.


Acho que consigo lavar o mundo inteiro.


Sinto o vento e as nuvens se formarem


e o céu ficar bonito de chuva.


Maldito tempo frio.


Por sorte,


o vento leva tudo embora,


mas fico aqui engasgada


com um monte d’água no peito.


Viro água com facilidade.


Viro água com tristeza


e com alegria também, 


me sinto rio quando estou assim.


Me sinto miúda, 


muda e 


transparente. 


Não me sinto eu, mas eu sinto o tempo.


Autoria: Pâmela Jerônimo


Revisão: André Rhinow e Laura Freitas


Imagem: Ofélia, de Friedrich Wilhelm (1900)

Revisado por Equipe de Revisão

Escrito por

Ornito Vargas

Há 7 anos na Gazeta

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