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Coluna de Professores

Rio

dentro de mim corre um rio tempos atrás foi rio de meandros criatura pródiga transbordava na cheia formando o corpo híbrido de um...

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Ornito Vargas

2 min de leitura

6 de dezembro de 2021

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dentro de mim corre um rio tempos atrás foi rio


de meandros criatura pródiga transbordava na cheia


formando o corpo híbrido


de um rio-margem


e se recolhia na baixa


viajante exausto


de volta à casa


mas a era das obras se impôs


às bordas antes sinuosas


trouxe escavadeiras


dragas


tratores dez mil operários seus infinitos braços de ferro


trabalharam noite e dia retificaram o curso apagaram meandros


canalizaram córregos


devastaram matas do leito um dia curvo


daquele velho rio


o exército fatigado conferiu ao fluxo


sua nova arquitetura fixando de vez a coisa margem que de ser que era


e não era pois margem só é por


não ser passou a ser destino.


margem nova


qual madre superiora calando as dúvidas


e enclausurando


as palavras do caudal retificado


mas vejam como ele corre!


como espanta o seu fluxo!


e lá vai o reto rio


com seu corpo de águas glutonas que tudo consome


rio que vaza e leva palavras e


homens e


coisas e cuidado


pois se transborda não há magia ou técnica


que consiga abater


sua formidável física


o tempo do rio que era não segue a cadência dos homens e muito menos o ritmo das máquinas


leva muito tempo um


moroso


vagar


geológico


para o rio reto voltar a ser rio de esplanada para que ressurja um outro ser rio aquele que já foi ou que poderia ter sido


apenas


meu


rio


Autor: Jose Bortoluci

Revisado por Equipe de Revisão

Escrito por

Ornito Vargas

Há 7 anos na Gazeta

Usuário não possui biografia

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