Saiba mais sobre a Chapa que tomará posse do DAGV: Entrevista com a Chapa Nexo
Erick Martins entrevista a Chapa Nexo, eleita para a próxima Gestão do Diretório Acadêmico Getulio Vargas (DAGV).
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Na última semana, os cursos de Administração Pública (AP), Administração de Empresas (AE) e Economia foram às urnas eleger a próxima gestão do Diretório Acadêmico (DAGV). Eleita com 92,83% dos votos, a Chapa Nexo promete oxigenar a maior entidade representativa da Fundação. Seu Executivo é formado por Luigi Pistelli, presidente eleito do DAGV e aluno do 4º semestre de AE; Gabrielli Alves, vice-presidente eleita e aluna do 3º semestre de AE; e Nicolas Floriano, secretário-geral eleito e aluno do 3º semestre também de AE. Na entrevista de hoje, a Gazeta procura aprofundar o debate das principais propostas da gestão eleita.
O planejamento, o cumprimento de metas e a modernização administrativa aparecem como elementos estruturantes das propostas da Chapa Nexo para o DAGV. Na visão de vocês, essas são fragilidades presentes atualmente na entidade? Além disso, de que forma uma gestão mais orientada por planejamento e metas concretas pode aprimorar o funcionamento do DAGV no longo prazo?
Sim, entendemos que há fragilidades nesse campo, mas isso não justifica desqualificar o trabalho da gestão atual. O que percebemos é que o DAGV ainda depende muito de processos pouco integrados, de registros dispersos e de uma lógica em que muitas decisões acabam concentradas nas pessoas que ocupam os cargos, e não necessariamente em uma estrutura institucional contínua. O Google Drive, por exemplo, segue sendo uma ferramenta importante e pode continuar a ser utilizado, mas, sozinho, não resolve a necessidade de acompanhamento de metas e de integração entre áreas.
Para nossa chapa, modernizar administrativamente o DAGV significa tornar a entidade mais organizada e capaz de executar aquilo que propõe. Isso passa pela atuação conjunta da Secretaria-Geral, da Diretoria de Planejamento, da Diretoria de Projetos e da Vice-Presidência. Criamos um sistema em que cada área terá metas concretas, prazos e formas de acompanhamento. Assim, as propostas deixam de depender apenas da boa vontade individual de cada diretor e passam a integrar um fluxo de gestão mais claro.
A longo prazo, uma gestão orientada por planejamento e metas fortalece o DAGV, pois reduz retrabalho, evita a perda de informações entre as gestões, além de melhorar a comunicação interna e permitir que a diretoria acompanhe com mais precisão o que está funcionando e o que precisa ser ajustado. Mais do que tornar a gestão “mais rápida”, isso cria memória institucional e aumenta a capacidade do Diretório de entregar resultados reais ao alunato.
Ainda na carta conjunta de apresentação da Chapa Nexo, vocês apontam uma percepção de distanciamento entre o DAGV e o alunato, mencionando, inclusive, que a atuação da entidade teria sido guiada, em alguns momentos, prioritariamente por interesses internos. Como vocês avaliam esse diagnóstico atualmente? Na visão da chapa, quais fatores contribuíram para esse afastamento e quais medidas concretas pretendem adotar para reaproximar o DAGV dos estudantes e ampliar a participação do alunato nas decisões da entidade?
Nós avaliamos esse diagnóstico como algo que ainda faz sentido, mas que precisa ser entendido com cuidado. Não enxergamos esse afastamento como culpa exclusiva de uma gestão ou de um grupo específico, e sim como resultado de um processo mais amplo de desengajamento estudantil que vem afetando várias iniciativas da EAESP, em razão de fatores como a rotina acadêmica exaustiva, a baixa participação dos alunos no ambiente universitário e a sensação de desconexão entre as demandas do alunato e as entidades representativas.
Quando falamos que, em alguns momentos, a atuação do DA pareceu guiada por interesses internos, não queremos dizer que o Diretório deixou de trabalhar ou que não houve entregas relevantes. O ponto é que, para muitos alunos, o DA passou a ser visto como um espaço distante, voltado principalmente para quem já faz parte dele.
Para enfrentar isso, nossa chapa propõe que o DAGV deixe de ser percebido como uma entidade fechada e passe a atuar como um ponto de apoio efetivo aos estudantes. Isso envolve canais permanentes de escuta, a aba de ouvidoria e o acompanhamento das demandas pela Vice-Presidência e por Planejamentos. Também pretendemos fortalecer a atuação da área de Projetos, por meio de assembleias periódicas, grupos focais e projetos sugeridos pelo próprio alunato.
Uma das propostas mais inovadoras apresentadas pela chapa diz respeito à reformulação da relação entre os Coletivos e o DAGV. Na carta conjunta, vocês afirmam que “o DA não deve ser apenas um intermediário distante, mas um parceiro técnico que ajuda esses grupos a crescer”, mencionando, inclusive, apoio à formalização jurídica e à construção de autonomia administrativa e financeira dos coletivos. Na prática, quais medidas pretendem implementar para viabilizar essa autonomia? Já houve diálogo prévio com os coletivos sobre essas demandas e sobre o modelo de relação que desejam construir com o DAGV? Além disso, como vocês avaliam os possíveis impactos financeiros e institucionais dessa proposta para o próprio Diretório Acadêmico?
A proposta de fortalecer os coletivos parte da compreensão de que eles desempenham um papel essencial na permanência, no acolhimento e na representação de grupos que, muitas vezes, não encontram espaço suficiente na FGV. A ideia da chapa não é tutelar os coletivos nem falar por eles, mas oferecer suporte para que tenham mais autonomia. Nossa Vice-Presidência tem foco justamente em auxiliar na formalização jurídica e no desenvolvimento da autonomia administrativa e financeira, levando demandas concretas desses grupos às reuniões com a coordenação da FGV.
Porém, isso precisa ser feito em etapas. Primeiro, reconhecemos que ainda não houve diálogo com todos os coletivos; portanto, a primeira medida seria abrir uma rodada formal de escuta com Plutão, Delta, 20 de Novembro e os demais grupos que queiram participar. A partir disso, a chapa poderia ter noção de quais coletivos realmente desejam a formalização? Quais preferem continuar em um modelo mais flexível? Quais são suas principais dificuldades: captação de membros, orçamento, comunicação, espaço e legitimidade?
Depois disso, um plano estrutural seria proposto. Esse plano poderia incluir possibilidades de CNPJ, modelos de governança interna, preservação de documentos, organização do calendário, apoio à comunicação, conexão com parceiros e construção de canais mais estáveis com a FGV. Mas é importante deixar claro que o DAGV não pode, sozinho, promover uma “institucionalização” oficial na Fundação sem diálogo com as instâncias responsáveis. Portanto, qualquer medida que envolva o uso formal da estrutura da FGV, de recursos institucionais ou de reconhecimento administrativo precisa passar pela coordenação.
Outro trecho relevante da carta menciona a intenção de fortalecer as colaborações entre o DAGV, o CARI e o CA de Direito. Atualmente, quais pautas vocês entendem que aproximam essas três entidades representativas? Na visão da chapa, de que forma uma maior articulação institucional entre elas poderia beneficiar os estudantes e fortalecer a representação discente dentro da Fundação?
A aproximação entre DAGV, CARI e CA de Direito faz sentido porque essas entidades representam alunos que, embora cursem disciplinas diferentes, compartilham muitos desafios na Fundação. Existem pautas transversais que não pertencem a uma única graduação e precisam ser discutidas com todos os alunos da Fundação.
A carta da Nexo propõe que a Vice-Presidência coordene, junto com o CARI e o CA de Direito, trabalhos sobre pautas que atingem o corpo discente de forma geral. Na prática, uma maior articulação entre essas entidades pode aumentar a força institucional de nossas representações, visto que uma demanda apresentada em conjunto tende a ter mais peso do que uma apresentada isoladamente. Além do ganho de escala, benefícios, parcerias, eventos e projetos podem alcançar mais estudantes e tornar-se mais atrativos para patrocinadores e para a própria Fundação. A troca de repertório também seria de extrema importância; cada entidade tem experiências próprias em gestão, comunicação, captação e representação, e essa troca pode melhorar a qualidade das entregas do nosso diretório.
Antigas edições de publicações da Gazeta retratam um período de forte proximidade entre o DAGV e grandes nomes da política nacional. Em 2002, por exemplo, a entidade recebeu o então candidato à Presidência Luiz Inácio Lula da Silva para um debate. Na carta do candidato à Diretoria Cultural, Petrillo Vinícius, a ampliação da presença de pautas culturais e políticas no cotidiano da GV aparece como uma das propostas centrais da Chapa Nexo, especialmente diante da percepção de que muitos estudantes hoje permanecem distantes dessas discussões. Como vocês avaliam esse cenário atualmente? Quais estratégias concretas pretendem adotar para reaproximar o alunato de debates políticos, culturais e institucionais sem que isso seja percebido apenas como um espaço restrito a grupos já engajados?
Avaliamos que, hoje, há um certo esvaziamento do debate político e cultural no cotidiano da GV, principalmente entre alunos que não estão naturalmente próximos de entidades, coletivos ou grupos acadêmicos. Isso não significa uma falta de interesse absoluto, mas, muitas vezes, uma falta de convites adequados.
A chapa entende que cultura e política não devem aparecer apenas como eventos isolados. Elas precisam ser incorporadas à vivência universitária por meio de estratégias que integrem os interesses gerais do alunato. Por exemplo: rodas de conversa, cine-debates, eventos culturais, parcerias com entidades e coletivos, além de eventos que conectem temas nacionais. A ideia não é transformar o DAGV em um espaço partidário, até porque o Estatuto define o Diretório como apartidário, mas sim recuperar seu papel de formação cidadã, de debate democrático e de circulação de ideias.
Para não falar apenas com os já engajados, é necessário diversificar a linguagem e os canais. Em vez de depender apenas de palestras tradicionais, a chapa quer abordar temas que partam de questões reais e façam sentido para o dia a dia do alunato: moradia, transporte, permanência, mercado, cidade, cultura… Assim, o debate político deixa de parecer um “nicho” e passa a ser apresentado como parte da formação de qualquer estudante da FGV.
Em relação à candidatura de Pedro Carneiro à Diretoria de Entidades, a chapa afirma ter identificado um “baixo potencial de transformação” na forma como os repasses vêm sendo realizados atualmente. Nesse contexto, qual papel vocês entendem que o DAGV deve exercer na estruturação e fortalecimento das entidades da GV? Além disso, considerando que, para muitas entidades menores, os repasses representam condição essencial para a existência e continuidade de projetos, como vocês pretendem aperfeiçoar esse modelo de apoio? Há propostas de mudança nos critérios de distribuição, acompanhamento ou incentivo institucional para garantir que esses recursos gerem maior impacto e sustentabilidade para as entidades?
O papel do DAGV em relação às entidades não deve se limitar a repassar recursos. O repasse é importante, principalmente para entidades menores, mas não resolve, por si só, os problemas de continuidade, organização, comunicação, captação, espaço e planejamento. A carta de Entidades da Nexo propõe justamente transformar a área em um suporte mais eficiente e próximo, com foco na padronização, no planejamento, na comunicação ativa com as lideranças estudantis e na otimização do orçamento.
Quando falamos em “baixo potencial de transformação”, não estamos dizendo que os gastos de manutenção são inúteis. Para muitas entidades, são necessários. O ponto é que parte dos recursos poderia gerar um impacto mais duradouro se fosse direcionada também à estrutura da entidade, algo que seja mais permeável ao longo do tempo. Isso pode ajudar entidades menores a depender menos de soluções pontuais e a garantir-lhes maior autonomia.
Ao mesmo tempo, é importante responder com cautela a mudanças no modelo de repasse. A chapa ainda está avaliando a implementação de planos de repasse, e há histórico de demora no caimento desses valores, o que dificulta prometer mudanças imediatas. Por isso, nossa posição é não fazer alterações bruscas sem entender a necessidade real das entidades e sem considerar o impacto sobre aquelas que dependem do recurso para existir.
Imagem da capa: Chapa Nexo
Revisado por Equipe de Revisão e Pedro Anelli Bastos
