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Poesia

Se eu fosse eu

Inspirando-se em Clarice Lispector, o poema revisita uma pergunta feita pela escritora, entre versões idealizadas de nós, e expectativas inalcansáveis: “se você fosse você, como seria e o que faria?”

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Elis Suzuki

3 min de leitura

28 de agosto de 2026

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Se eu fosse eu, eu me esforçaria mais.

Eu estudaria mais e à procrastinação, iria me opor.

Eu tentaria alcançar tudo aquilo de que sou capaz.

Eu sentaria a bunda na cadeira,

E ficaria horas encarando a tela do computador.

No meu cérebro, não teria mais poeira.


Se eu fosse eu, eu sairia um pouco das telas.

Correria livre pela rua e me deixaria ouvir o canto dos passarinhos,

Sentiria o cheiro das árvores e o aroma de todas as minhas velas.

Deitaria na grama e deixaria minha criatividade aflorar,

Olharia para as nuvens e nelas traçaria caminhos

Me permitiria sonhar, cantar e chorar, dançar e amar.


Se eu fosse eu, eu treinaria mais.

Focaria no meu corpo e faria mais academia,

Teria a imagem perfeita que se vê nos jornais.

Comeria direito e faria todas as refeições equilibradas.

Mas, assim, não teria tempo para minha poesia.

Teria que garantir minhas noites de sono iluminadas.


Se eu fosse eu, eu me dedicaria mais às minhas amizades.

Iria pra festas e jantares, não faria nada e teria conversas banais.

“O que realmente vale são as pequenas felicidades.”

Ficaria o dia inteiro ouvindo desabafos e fofocas,

Sem planejar os momentos finais,

Ignorando tudo que não seja o agora e nossas trocas.


Se eu fosse eu, eu não aguentaria fazer minhas obrigações.

Ficaria tão cansada que desistiria de tudo.

Ia preferir hibernar até me recuperar 100% das minhas lesões.


Parece tão cansativo ser eu.

Mas, se eu fosse eu, eu faria melhor.

Parece até que eu não controlei o que aconteceu.


Eu queria ser eu, ou queria ser outro alguém? 

Sendo outra, eu me esconderia atrás de um escudo.

A verdade é que não me contentaria com ninguém.


Se eu fosse eu, faria tanta coisa diferente, 

Será que seria pior?


Se eu não fosse eu, me orgulharia tanto do que eu faço.

Revisado por Nina Neves

Escrito por

Elis Suzuki

Há 2 anos na Gazeta

Elis Suzuki é estudante de Direito-FGV e redatora da Gazeta. Escreve sobre a vida universitária, esporte e cultura, com sua vasta experiência como gvniana.

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