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Mundo

Tudo é performativo

Da maneira como os meus cabelos caem sobre as maçãs do meu rosto Somente para serem delicadamente postos para trás de minhas orelhas Às...

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Ornito Vargas

4 min de leitura

17 de janeiro de 2023

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Da maneira como os meus cabelos caem sobre as maçãs do meu rosto


Somente para serem delicadamente postos para trás de minhas orelhas


Às palavras que deixam a minha boca


Lindamente desesperadas


Talvez tenha sido você quem me inventou no fim das contas 


Uma boneca cuja existência foi curada para encantar


Sempre tão perfeita, mas nunca o suficiente


Áspera


Não há surpresa em sua admiração


Com toda minha determinação


Eu venci


Performar


Não amar


Razão para respirar


Everything is performative


From the way my hair falls against the apples of my cheeks


Only to be delicately placed behind my ears


To the words that leave my mouth


Beautifully desperate


Maybe it was you who invented me after all


A doll whose existence was curated to appease


Ever so perfect though never enough


Rough


No surprise in your admiration


With all my determination


I win


To perform


Bridal wreath


Reason to breathe


Comentários da autora


Acredito que este poema descreva um sentimento intrínseco à existência feminina. A vontade de agradar o outro através do mostrar-se bonita e interessante ocupa o tempo e o imaginário das mulheres de tal maneira que sobrepõe preocupações que deveriam ser mais importantes, como o sentir-se genuinamente cuidada e amada. 


A obra é um soneto, pois consiste em uma sequência de duas estrofes com quatro versos seguidas por outras duas com três versos. Quis escrever assim depois de ler e me encantar pelo livro Cem Sonetos de Amor, do autor chileno Pablo Neruda. Embora tenha me comprometido a seguir essa formalidade da literatura portuguesa, minhas rimas não têm nenhum tipo de métrica gramaticalmente orientada e são apenas junções de palavras que transmitem muito bem o que estava sentindo enquanto escrevia. Por isso, não tente contar as sílabas poéticas.


A primeira versão é a inglesa, que me parece infinitamente melhor do que a aportuguesada. A ideia de traduzir o soneto veio de um livro de Sylvia Plath que faz essa comparação inglês-português para uma coletânea mais extensa de poemas. Achei lindo conhecer o texto original, como foi pensado para o leitor pela autora, e ainda ter a oportunidade de interpretar cada um de seus termos no idioma que conheço melhor, minha língua materna.


Traduzir um poema é especialmente difícil, porque deve-se conseguir transmitir a mensagem da obra original sem danificar a musicalidade de suas rimas. Caso compare os dois textos com atenção, perceberá que alguns versos foram traduzidos literalmente do inglês para o português ao passo que outros foram modificados em prol da ritmicidade da escrita. Esse tipo de exercício brilha meus olhos de escritora e faz com que queira escrever mais Noventa e Nove Sonetos de Amor.


Autoria: Beatriz Nassar


Revisão: Anna Cecília Serrano


Arte: Lais Alvarez

Revisado por Equipe de Revisão

Escrito por

Ornito Vargas

Há 7 anos na Gazeta

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