ONDE ESTÃO OS ALIENS?

Você acredita em vida extraterrestre? Com tantas estrelas por ai, não é difícil imaginar uma outra sociedade que seja mais complexa e evoluída do que a nossa. No texto de hoje, nosso redator, Pedro Gama, analisa alguns cenários plausíveis para a vida além da Terra.

Certamente você já se perguntou se existe alguém de cima observando por nós, como Deus ou extraterrestres que formam colônias interestelares. Os cientistas também já o fizeram e, teoricamente, de acordo com o tamanho e idade do universo, sugerem que muitas civilizações extraterrestres tecnologicamente avançadas deveriam existir. Mas como muito bem indagado pelo físico Enrico Fermi, “onde está todo mundo”?


Essa questão é conhecida como o Paradoxo de Fermi, a aparente contradição entre a previsão da existência de vida alienígena altamente desenvolvida e a falta de evidências ou contato com essas civilizações. Existem 70 sextilhões de estrelas no universo observável. Opiniões tipicamente consideram que de 5% a 20% dessas estrelas são similares ao Sol em luminosidade, tamanho e temperatura e que em torno de 22% a 50% desses “sistemas solares” existe um planeta similar à Terra em condições de abrigar vida. Como se pode ver, esses números estão longe de estarem em comum acordo pela comunidade científica. Mas considerando mesmo as previsões mais pessimistas, existem uma caralhada de planetas capazes de berçar civilizações e, o mais importante, esses planetas existem há uma caralhada de anos.


O universo surgiu há cerca de 13,7 bilhões de anos atrás. Considerando todo esse tempo e a quantidade de planetas disponíveis, é esperado que o improvável - o surgimento da vida - tenha acontecido repetidas vezes. A partir daí a evolução faz o seu papel, que em inúmeros casos pode ter resultado no desenvolvimento de seres civilizados, capazes de superar a escassez e de conquistar novos habitats. Nesse sentido esses seres são como nós humanos. Ademais, esse tempo também é suficiente para que essas civilizações tenham milhões e milhões de anos a mais de desenvolvimento tecnológico do que a humanidade, capazes de colonizar sistemas estelares inteiros, assim como nós um dia seremos, caso não sejamos extintos.


Mas afinal, onde estão as gigantes civilizações interestelares? Olhamos para o espaço e nada. Ele aparenta estar vazio e morto, e isso significa que provavelmente exista algo que torne a formação de uma civilização galáctica virtualmente impossível. Esse algo se chama o Grande Filtro, um desafio ou perigo tão grande de ser superado que elimina quase todas as espécies que atingem determinado patamar de desenvolvimento. Esse filtro pode estar tanto à frente de nós como pode já ter sido ultrapassado.


Cenário 1 - O Grande Filtro já foi superado

Esse é um cenário otimista, significa que um dos passos evolutivos que nós já tomamos é quase impossível de superar. Ou seja, nós somos os sortudos.


Um dos passos candidatos ao posto de Grande Filtro é a própria origem da vida, se ela for tão excepcionalmente rara que somente na Terra ou em outras poucas insólitas ocasiões pôde acontecer. Outro candidato é a transformação de células procariontes simples para células eucariontes complexas, que até onde sabemos, ocorreu somente uma vez - na simbiose celular. Ademais, também é considerada a evolução de uma inteligência tal como a humana como um candidato potencial ao filtro, caso ela seja extremamente improvável de ocorrer e de se preservar no tempo.


Cenário 2 - O Grande Filtro está adiante

Esse é o cenário pessimista. Um Grande Filtro adiante de nós é de magnitude incomparável aos obstáculos que a vida encontrou até agora, como eras glaciais e meteoros.


Uma hipótese é a de que algum evento cataclísmico devastador que ocorra regularmente seja o Grande Filtro, como talvez grande explosões de raio gama. Outra hipótese mais perturbadora é a de que civilizações inteligentes inevitavelmente trazem para si a auto-destruição, uma vez atingido determinado grau de desenvolvimento tecnológico. Essa tecnologia há de ser tão devastadora como armas biológicas incuráveis ou bombas nucleares destruidoras. Quem sabe até um experimento falho que exploda todo o planeta? Por mais que especulemos, caso o Grande Filtro esteja à frente de nós, dificilmente acertaremos qual será o fim que nos espera.


De qualquer forma o futuro desse cenário é trágico e é somente uma questão de tempo até a nossa destruição.


Conclusão

Assim sendo, ao perguntarmos repetidamente “onde está todo mundo?” é melhor não acharmos a resposta. Se descobrirem vida em Marte, por exemplo, isso seria uma péssima notícia que eliminaria a possibilidade de diversos grandes filtros já ultrapassados. Quanto mais comum for a vida no universo, e quanto mais desenvolvida e complexa for, mais provável se é que o Grande Filtro esteja adiante. Ruínas de civilizações extraterrestres, por mais que um enorme achado, significariam quase que certamente a nossa futura extinção. Quando pensamos no Paradoxo de Fermi, a solidão humana e o silêncio do céu noturno são ouro.

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