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Coluna de Entidades

A soberania em fragilidade no mundo atual: como o Brasil fica nessa história?

Em um mundo cada vez mais dominado pela “Lei da Selva”, a coluna revela como grandes potências enfraquecem a soberania global e por que o Brasil pode estar no centro desse jogo.

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Epep

11 min de leitura

7 de abril de 2026

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Mudanças na política mundial vêm trazendo à tona as recentes violações da soberania de diferentes Estados e como o mundo está caminhando para uma nova ordem baseada na “Lei da Selva”. As situações que surgem nos fazem pensar: como chegamos nesse estado? E como o Brasil se encaixa no meio desse cenário, com disputas tanto externas quanto internas?


Nos últimos anos, a palavra “soberania” vem sendo cada vez mais utilizada na análise da geopolítica mundial: “Isso é uma violação da soberania de tal país”; “A soberania de X está em jogo”; “Precisamos defender a nossa soberania”. Discursos assim se tornaram uma normalidade, mas não é à toa: basta abrir os olhos para observar como as tensões no mundo parecem escalar cada vez mais. Mas afinal, o que exatamente é ser soberano? Levando ao significado mais literal, seria o reconhecimento de um governo em exercer poder e tomar decisões de forma autônoma dentro de um território determinado e reconhecido. Tal conceito se torna fundamental para compreendermos o mundo como é hoje e a importância desse tema nas disputas atuais. 


Quando a ONU foi criada, em 1945, ela trouxe como um de seus pontos a soberania dos Estados como algo fundamental para a estabilidade internacional e respeito mútuo entre seus membros. Como registrado no artigo 2 na carta das Nações Unidas, a organização baseia-se no princípio da igualdade soberania de todos os seus membros,  assim rejeitando o uso de conflitos armados para resolver disputas e proibindo a violação da integridade territorial ou a independência política de qualquer Estado. Porém, nos últimos anos, esses princípios vêm sendo cada vez mais violados, trazendo à tona uma nova ordem baseada no uso da força, onde aqueles que detêm mais poder moldam as regras do jogo. Uma verdadeira “Lei da Selva”, onde os mais fortes governam e os fracos obedecem. 


É comum ouvir através de jornais e das redes sociais o quanto o mundo vem se transformando, e parece que vem ficando mais perigoso a cada ano que se passa. Novos conflitos vêm surgindo um atrás do outro, com a soberania de diferentes Estados sendo violada cada vez mais, e as instituições internacionais sem a capacidade de mediar ou lidar com essas disputas. Casos podem ser observados em diferentes regiões do mundo por intervenções armadas contra nações soberanas, partindo do objetivo de levar à capitulação adversária. É possível analisar ocorrências mais recentes, como a Guerra na Ucrânia, a captura de Nicolás Maduro na Venezuela e os recentes bombardeios no Irã. 


Mas o que esses casos têm em comum? 


No meio desses conflitos, destaca-se o papel das grandes potências, sendo elas os EUA, Rússia e China. Com a volta da multipolaridade, as disputas entre esses países reacenderam, que por sua vez, brigam por esferas de influência para garantir sua dominância em certas regiões do globo. Entretanto, essas disputas comprometem as vontades de países menores às dos mais fortes. Na teoria de esferas de poder, cada grande potência teria o “direito” de influenciar, pressionar e até mesmo intervir nos assuntos internos desses países para assim garantir seu domínio sobre eles. Dessa forma, a soberania desses Estados acaba sendo prejudicada, uma vez que não têm a oportunidade de se defender, ou contar com ajuda de instituições. 


E por falar em instituições, um ponto a se destacar é que não há organismo internacional que possa impedir essas grandes potências, tendo em vista que são elas que representam o Conselho de Segurança da ONU, junto com a França e o Reino Unido. Esse é o principal órgão que decide sobre segurança e ações militares nas Nações Unidas, onde estes cinco países fazem as tomadas de decisões de conflitos armados. Para dar exemplos, quando a soberania de algum país é violado por um desses membros, eles podem simplesmente bloquear uma demanda de paz pelo conselho. Tais ações ocorreram com o veto russo pela paz na Ucrânia, ou dos EUA no conflito entre Israel e Hamas, afinal, essas guerras têm interferência direta ou indireta por parte desses governos. Assim, a “Lei da Selva” acaba prevalecendo sobre o Direito Internacional, trazendo novos conflitos e um sentimento de impunidade para as nações mais poderosas sobre as mais fracas. 


Com todas essas consequências, diversos Estados temem que futuros conflitos possam acontecer e que eles sejam os próximos. As incertezas que giram o mundo podem resultar que governos sejam derrubados, ou se tornem Estados Fantoches, tudo graças às disputas internacionais. Dentre os países que podem correr esse risco vale destacar Taiwan, uma nação independente, porém vista como uma província rebelde pelo governo chinês, fazendo assim com que a pequena ilha corra atrás de parceiros para se defender e garantir sua independência. Outro caso inclui Cuba, na América Central, um alvo dos EUA, cujo governoteme ser derrubado, principalmente após a queda de Maduro. Por fim, ficam destacados os Estados Bálticos, antigos membros da União Soviética e alvos de frequentes ameaças de Putin. Esses são só alguns dos casos que ainda podem surgir, por isso, esses países vêm lutando e fazendo tudo que podem para garantir sua sobrevivência no meio dessa turbulência global. 


E o Brasil nessa história? 


Bem, o Brasil não fica de fora desse jogo geopolítico diante da disputa entre as grandes potências. Por ser uma nação de enorme relevância, tanto econômica quanto política, nosso país sul-americano fica frequentemente na mira de outros governos que buscam atraí-lo para o seu lado. A China vem aumentando sua presença na América do Sul através de investimentos em infraestrutura e o estabelecimento de bases em alguns países, fortalecendo a aliança pelos BRICS. Porém, estando dentro da zona demarcada dos EUA, o governo americano não aceitou isso com bons olhos. 


O primeiro movimento de Trump contra o Brasil foi marcado pelas ações tarifárias na metade de 2025 que chegaram a bater até 50% em produtos nacionais. Tarifas em si, quando utilizadas como meios econômicos, não são uma violação da soberania de nenhum país, porém o “tarifaço” ia além de simples questões comerciais. Primeiramente, ele não fazia sentido do ponto de vista econômico, afinal, os objetivos descritos por Trump com ele eram justamente reverter o déficit comercial com outros países para ajustar a dívida externa americana, enquanto os EUA possuem um superávit com o Brasil. Por trás das ações apresentadas por Washington, estava a regulamentação digital das redes sociais e plataformas americanas por parte do governo brasileiro e disputas envolvendo empresas digitais e sistemas financeiros brasileiros, como o PIX. Tais atitudes representaram uma clara tentativa de condicionar relações econômicas a mudanças no funcionamento da justiça brasileira e em nossas instituições internas. 


O mundo se encontra em um cenário que está nos levando de volta para uma era de conflitos de interesses e brigas por influência, onde aqueles que detém poder político, militar e econômico ditam as regras do jogo, trazendo de volta um mundo onde os mais fortes governam e os mais fracos obedecem. Países menores, por sua vez, acabam ficando à mercê desses interesses externos e não conseguem ditar seus próprios caminhos, por causa dessas novas disputas geopolíticas. Como consequência, nem as instituições internacionais, nem os órgãos governamentais poderão conter as ameaças que estão por vir, gerando assim um mundo de instabilidades, incertezas e garantindo a falta de previsibilidade para os próximos acontecimentos que podem ocorrer. Portanto, a deturpação da soberania no mundo não é causada por simples conflitos entre pequenos Estados, mas por uma disputa de influência por parte das grandes potências, que compromete a estabilidade mundial, em especial das nações menores e mais fracas. 


Como mencionado, o Brasil já foi arrastado para o meio dessa disputa, o que gerou ataques diretos contra as nossas instituições pela vontade de autores externos. Nosso caso se destaca, junto com os outros países latino-americanos, pois, ao contrário da Ásia e Europa, as interferências acabam sendo ideológicas e governamentais, ao invés de territoriais. Agora, o governo brasileiro vem buscando ações rápidas para garantir uma boa relação com os lados desse cenário, ao mesmo tempo que luta para manter sua soberania na tomada de decisões. Ainda há dúvidas de como isso vai acabar, mas é certo que muitos conflitos e disputas ainda estão por vir, e que precisamos ficar atentos para que continuemos donos do nosso futuro como Estados-nação. 


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Referências


CRAWFORD, James. Sovereignty as a legal value. The Cambridge companion to international law, 2012, p. 117-133 [17 p.] 


Carta das Nações Unidas (texto integral); https://www.un.org › about-us › un-charter › full-text 


Lindsay O'Rourke and Joshua Shifrinson, “Squaring the Circle about Spheres of Influence: The Overlooked Benefits" (2022), The Washington Quarterly, 45/2: 105 - 124. 


«Putin sentencia que Crimea es 'parte fundamental de Rusia'» El Mundo. 18 de março de 2014 


Como China perdeu 'ilha rebelde' e qual é a situação atual: BBC: https://www.bbc.com › portuguese › articles 


CNN Brasil: Tarifaço dos EUA: Relembre linha do tempo e como Brasil foi afetado. 6 de dez. de 2025 


Captura de Maduro completa uma semana; relembre o que aconteceu; CNN Brasil; https://www.cnnbrasil.com.br 


G1; Investimento chinês dobra no Brasil, que agora é o terceiro principal destino.; 4 de set. de 2025 


https://www.gazetavargasfgv.com/noticias-textos/por-que-o-mundo-está-maisperigoso%3F


Revisado por Leonardo Maceiras Ferreira e Ana Carolina Narios Clauss

Escrito por

Epep

Foi da Gazeta por menos de 1 mês

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