Grammy 2026: Conheça Os Indicados A Álbum do Ano No Grammy 2026
A Gazeta Vargas, juntamente com a Liga de Música Business, apresenta os álbuns indicados à 68ª edição do Grammy Awards, a maior premiação de música do mundo
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1 de fevereiro de 2026

Na noite deste domingo (01), a Recording Academy celebra a 68ª edição do Grammy Awards, a maior premiação de música do mundo. Após uma edição histórica no ano passado, com a vitória de Beyoncé por Cowboy Carter em Álbum do Ano, o Grammy retorna com 8 dos principais álbuns do último ano entre os indicados na categoria vencida pela texana. Para ficar por dentro de todos os candidatos, a Gazeta Vargas e a Liga de Música Business ouviu os indicados e conta para você neste texto o que achou deles.
Chromakopia (Tyler, The Creator)
A carreira de Tyler, The Creator sempre foi marcada por metamorfoses e encarnações encenadas: seu início mais caricato e irreverente no grupo Odd Future, que se refletiu nos primeiros álbuns, rapidamente se transformou num toque mais narrativo e sentimental em Wolf, Flower Boy e Igor, sofrendo uma nova transição para o estilo boêmio de Call Me If You Get Lost, e mudando novamente em Chromakopia.
Lançado em 2024, a narrativa do álbum envolve um processo de autoconhecimento. Diferente dos outros personagens encarnados por Tyler Okonma em projetos anteriores, St. Chroma, protagonista do projeto, representa o próprio rapper em um processo de descoberta da própria identidade. Narrado por Bonita Smith, mãe de Tyler, o álbum apresenta um som eclético e letras que abrangem inúmeras crises do cantor: o sentimento agridoce de passar dos 30 anos de idade, paranoias que surgem com a fama, questionamentos amorosos, uma gravidez não planejada, identidade negra, sexualidade, o fantasma do pai ausente e o questionamento interior apresentado logo nos primeiros versos: “Do I keep the light on or do I gracefully bow out?”. Nesse meio, Bonita funciona não somente como narradora, mas como guia interno de Tyler durante seu autodescobrimento. O projeto finaliza com uma mensagem otimista, sobre o desejo de deixar as máscaras de lado e encontrar seu verdadeiro Eu.
Em questões de produção, o álbum mistura de forma maestral os ritmos de rap com um clássico R&B, pegando referências de diversos lugares do mundo (o sample de uma banda da Zâmbia utilizado em Noid é uma obra de arte à parte!), lembrando muito os trabalhos clássicos do hip-hop do início dos anos 2000. No quesito lírico, os temas abordados pelo artista são elaborados de uma forma verdadeiramente tocante (destaque para Hey Jane, I Hope You Find Your Way Home e, claro, Like Him).
Um álbum sentimental e, ao mesmo tempo, pessoal e universal, abordando temas importantes e servindo quase como uma válvula de escape artístico para os sentimentos que Tyler reprimiu por tanto tempo. É, como os demais trabalhos do artista, uma verdadeira obra de arte.
DeBÍ TiRAR MáS FOToS (Bad Bunny)
Depois de virar o “rei do verão” com Un Verano Sin Ti e de entrar numa fase mais misteriosa e noturna em Nadie Sabe Lo Que Va a Pasar Mañana, Bad Bunny chegou em 2025 com um álbum que parece ter um nome simples, mas que bate forte em qualquer pessoa: DeBÍ TiRAR MáS FOToS (“Eu devia ter tirado mais fotos”). Lançado em 5 de janeiro de 2025, o disco tem 17 faixas e pouco mais de uma hora, e dá para perceber logo no começo que o artista não faz música só para bombar: ele quer contar uma história e, acima de tudo, guardar lembranças.
O som do álbum mistura estilos que o Bad Bunny já costuma utilizar muito (como reggaeton e pop), mas aqui ele coloca ainda mais a identidade de Porto Rico, seu país de origem, dentro das músicas. Há diversos momentos com ritmos tradicionais, como plena e salsa, além de outras referências locais. É como se ele estivesse dizendo: “eu posso ser global, mas minha casa vem comigo”. Vários críticos também perceberam isso, falando que o disco é cheio de detalhes e de referências culturais porto-riquenhas, e isso combina com a sensação de que nada ali é por acaso.
Mas o principal do álbum não é só o som, é a mensagem que ele passa. DeBÍ TiRAR MáS FOToS fala sobre memória, saudade, e sobre como a vida muda rápido. Não é aquela nostalgia romântica “fofinha”. É uma nostalgia que dói, porque ele está falando de coisas que foram embora para sempre: momentos, pessoas e até partes do país. Ele também toca em temas sociais, como mudanças em bairros e na cultura local, que fazem muita gente se sentir “fora do lugar” na própria terra. Isso fica ainda mais claro no curta-metragem lançado junto com o álbum, que tem o mesmo nome e foi escrito e dirigido pelo próprio Bad Bunny junto com outros criadores, usando fotos e lembranças como parte central da história.
A capa resume tudo muito bem: duas cadeiras plásticas brancas em um quintal com bananeiras ao fundo. Não tem luxo, não tem pose, não tem nada “feito para ser chique. Parece foto de casa de família. E isso combina perfeitamente com o título, porque dá aquela sensação de: “isso sempre esteve aqui… e eu não percebi”. E o nome do álbum completa a ideia: “devia ter tirado mais fotos”, é arrependimento. É perceber tarde demais.
Mesmo sendo um álbum super íntimo, ele virou um sucesso gigante. O disco chegou ao 1º lugar da Billboard 200, o que mostra como Bad Bunny consegue fazer um projeto pessoal e, ao mesmo tempo, conquistar o mundo inteiro. No fim, DeBÍ TiRAR MáS FOToS ficou marcado porque tem um equilíbrio difícil. É um álbum que mistura festa com saudade e que transforma uma coisa simples em um sentimento enorme: o medo de esquecer aquilo que a gente amou enquanto ainda estava vivendo.
GNX (Kendrick Lamar)
Descrito pela revista Rolling Stone como “uma carta de amor à cidade de Los Angeles”, GNX, o lançamento surpresa do rapper Kendrick Lamar no final de 2024, concorre ao prêmio de Melhor Álbum do Ano no Grammy 2026. Ainda que menos fresco do que seus concorrentes Debí Tirar Más Fotos, Mayhem e Swag, o álbum saiu no período entre agosto de 2024 e agosto de 2025, sendo, portanto, elegível ao prêmio da Academia.
Colérico e versátil, seu trabalho vai do sentimento de rancor consolidado em wacced out murals ao amor devoto de luther, um feat com SZA digno de estar na trilha sonora de um romance. Com elementos do R&B e do mainstream, Kendrick Lamar consegue articular o clássico de alguns samples sem perder seu caráter inovador como artista. Há, portanto, um paralelo ao carro, GNX, que nomeia o álbum e aparece na capa.
Com aparência old school, porém tecnologicamente moderno, o Buick GNX foi lançado em 1987, ano em que o artista nasceu. O carro, entretanto, não aparece somente como uma homenagem do rapper a si mesmo. Também representa sua ascensão social como artista que, essencialmente, não negou suas origens, seu passado e erros. A metáfora ganha mais elegância com o desenrolar do álbum, conforme o artista descreve a Los Angeles dos seus anos formativos.
Como uma forma de easter egg, em uma postagem no começo de 2024, Lamar escreveu: “Mas no momento de confusão, a melhor coisa que você pode fazer é encontrar um ‘gnx’ [...] 1 de 547”, em que publica uma foto antiga com seu primo, ambos crianças se divertindo com um GNX de brinquedo. Hoje, o artista é dono de um dos 547 Buick GNX produzidos no mundo – o carro que aparece na capa do álbum em preto e branco. Deste modo, o conceito central do álbum matiza entre o orgulho da fama, materializado pela conquista do carro, e um sentimento de culpa cristã atrelada a sua consequente vaidade.
As músicas man at the garden e reincarnated abordam a relação do artista com a religião. Na primeira, há referência bíblica ao Jardim do Éden como um lugar de paz, reiterado pela repetição da afirmação “I deserve it all” na letra, o que simboliza, por sua vez, a aceitação da fama como mérito do artista. Na segunda, o eu-lírico, o próprio Kendrick, tem uma conversa direta com Deus, em que reflete sobre sua incapacidade de perdoar. O rancor, apresentado na primeira faixa do álbum, aqui é transformado em arrependimento. A absolvição fica nas mãos do ouvinte.
GNX não é só uma carta de amor à cidade de Los Angeles, mas também aos ouvintes que possibilitaram a ascensão do artista. É um manifesto de legitimidade: “eu mereço estar aqui – e aqui vou ficar”. Afinal, “I deserve it all”.
Let God Sort Em Out (Clipse, Pusha T & Malice)
15 anos após a última reunião dos irmãos Pusha T e Malice em estúdio no emblemático Til the Casket Drops, o duo Clipse retorna em um álbum envolvente que resgata a genialidade da dupla. A poesia ritmada em um estilo lírico perspicaz e cru permeia Let God Sort Em Out. O álbum apresenta dois irmãos amadurecidos que olham para a própria trajetória e abarca uma variedade de temas, que vão desde o consumo de drogas e a vida das ruas – tema amplamente citado em rimas em canções da dupla – quanto a individualidade dos irmãos na relação com a família, religião, carreira e consumo.
O álbum realiza, sem papas na língua, críticas diretas a outras personalidades do rap e hip-hop – fato que levou a uma ruptura com a gravadora inicial, reforçando o compromisso da dupla com a reafirmação de seus valores. Além disso, traz convidados de peso, embora tenha sido criticada a inventividade destes quando comparada à entrega da dupla no álbum. Entre eles estão Kendrick Lamar, Tyler, The Creator e John Legend. Uma especial menção deve ser feita a Pharrell Williams que, além de produzir o álbum e de participar de faixas memoráveis como Chain and Whips e So far ahead, deu ao álbum um toque particular, especialmente pelos beats minimalistas que cristalizam as rimas, embora nunca apagados ou deixados em segundo plano.
A escolha da música The birds don’t sing como faixa de abertura demonstra uma escolha clara dos irmãos de olhar para trás e refletir sobre a própria jornada, numa amálgama de melancolia e honra ao legado dos pais e a resiliência diante da trajetória percorrida. Na mesma toada, So far ahead e By the grace of god acompanham, em rimas taciturnas e ao mesmo tempo entremeadas de gratidão e menções à figura divina, a dualidade entre fé e dor.
Ainda, em faixas como E.B.I.T.D.A. e P.O.V., os rappers exploram de maneira interessante o rap gangsta com a ostentação hoje presente no trap. As músicas alternam ritmos e batidas minimalistas – embora nada esquecíveis – com rimas implacáveis, lentas e densas, que dão ao álbum personalidade e musicalidade singular, embora tenham sido lidas por parte da crítica como pouco imaginativas.
Em uma era em que a credibilidade de um álbum é atribuída a números e ao algoritmo, o sucesso de Let God Sort Em Out faz, em 2025, um aceno permeado de novas perspectivas aos anos de ouro da dupla Clipse, há 15 anos, sem abrir mão da originalidade e da acidez nas rimas de Pusha T e Malice. O álbum faz jus à indicação e vale a escuta, primeiro pela genialidade dos autores, segundo pelos instrumentais, que não deixam a desejar e criam uma atmosfera interessante em um ritmo de progressão lenta e profunda características da dupla, que retorna imponente e ácida.
Man’s Best Friend (Sabrina Carpenter)
Sabrina Carpenter é com certeza um dos nomes mais comentados hoje no pop mainstream. Ela começou sua carreira ainda bem jovem, interpretando Maya em Girl Meets World, um sucesso da Disney. Depois disso fez alguns trabalhos como atriz e consolidou sua carreira como cantora. Após o sucesso de Short n’ Sweet, muitos acharam que sua fama seria passageira, mas Man's Best Friend veio ao mundo para dizer que não.
O álbum versa sobre relacionamentos de maneira crítica e muito provocativa, sempre analisando e refletindo os relacionamentos atuais do ponto de vista femenino. Sabrina faz o contínuo uso de ironia para falar sobre como homens tratam suas parceiras e como elas se sentem com relação a esse tratamento. Na música Manchild, a primeira lançada do álbum, a artista canta sobre se frustrar em um relacionamento com um cara imaturo, mencionando isso como algo comum em sua vida.
Em outras faixas, ela continua desenvolvendo o tema. Em Tears, por exemplo, ela argumenta sobre o fato de se sentir atraída por homens que são minimamente gentis e ajudam em casa, e reflete pelo fato de que ela se sente atraída por algo que deveria ser normal e comum, mas não é. Já em My Man on Willpower, a cantora conta sobre um relacionamento no qual o homem é tão focado em autocontrole e autocuidado que acaba deixando sua parceira de lado, algo que a deixa se sentindo rejeitada e frustrada.
Apesar de estar dominando as rádios, Man's Best Friend não foi amplamente bem recebido pela crítica. Sabrina foi chamada de "má feminista” por sensualizar demais e fazer um álbum com letras superficiais. Porém, um artigo da Missing Perspectives sugere que as pessoas colocam expectativas muito pesadas nela como mulher, enquanto esse peso não é colocado em homens, que escrevem sobre os temas que também podem ser considerados como superficiais e são muito bem recebidos pela crítica.
No nome do álbum, a cantora se autointitula como "melhor amiga do homem", uma expressão geralmente usada para cachorros. Considerando a linguagem irônica e assunto das músicas, pode se dizer que ela se intitula dessa maneira pois se sente tratada com pouca importância, como um cão. Essa interpretação também combina com a capa do álbum, em que ela está ajoelhada no chão, como se estivesse imitando um cachorro, sendo puxada por um homem. Por outro lado, a capa e o nome do álbum mostram um duplo sentido com uma conotação sexual, ponto já conhecido na carreira de Sabrina.
Sabrina também usou uma estética parecida com o glamour feminino nos anos 70, mas muito mais provocativa. Esse visual contrasta a tradição das “mulheres de casa”, que ainda tinham muitas restrições, e a liberdade dela de reclamar de seus parceiros e falar sobre temas recorrentes hoje na vida de muitas mulheres.
Em geral, Man's Best Friend é um disco cheio de músicas dançantes com humor ácido. Seu conjunto de letras, rítmo e estética tornam o álbum muito rico e com uma narrativa muito marcante, assim encantando a mídia.
MAYHEM (Lady Gaga)
Artista feminina com mais indicações ao Grammy 2026, Lady Gaga retorna às suas origens com o melhor do dark pop ao abraçar o seu caos interior em MAYHEM. Com 17 faixas, o álbum indicado a Melhor do Ano inclui a balada Die With a Smile, vencedora do Grammy 2025 por Melhor Performance de Pop de Duo ou Grupo, além dos singles Abracadabra e Disease. Na edição deste ano, a cantora ainda concorre em outras seis categorias, incluindo Gravação e Música do Ano por Abracadabra.
Com dois planos temáticos principais, o novo álbum de Gaga não necessariamente representa uma inovação em sua discografia. De The Fame Monster a Chromatica, a fama e as consequências trazidas por ela na vida da artista, primeiro plano temático, sempre estiveram presentes em sua lírica. O amor, segundo eixo abordado, também não encontrou qualquer restrição, acompanhado-a em dois de seus maiores sucessos, Bad Romance e Shallow. Então, o que faz com que MAYHEM seja um disco tão grandioso, ainda que diante da forte reiteração de seu passado? A resposta é simples! Ele nos traz o que há de melhor em toda a história da popstar.
Já em sua faixa de abertura, Disease, a cantora explora a dor em enfrentar seus traumas, mas com uma pitada diferente daquela adotada em Chromatica. Gaga passa a aceitá-los como parte de si mesma. No lugar da busca incessante pelo “País das Maravilhas” de Alice, a artista faz amizade com seus próprios demônios, em vez de fugir o tempo todo. É esse, inclusive, o norte da ópera gótica apresentada pela cantora nos shows da THE MAYHEM BALL, a turnê de divulgação do álbum. A teatralidade do espetáculo, que encantou o público brasileiro nas areias de Copacabana, dá-se, sobretudo, pela caça de Mistress of Mayhem, personificação do caos interno da artista, a ela mesma. Uma busca que apenas chega ao fim quando Gaga aceita atravessar pelos seus traumas e deixar seu “monstro” interno florescer.
Em entrevistas a veículos norte-americanos, a artista não esconde o papel que seu noivo, Michael Polansky, desempenhou no processo de reencontro com o seu passado e de superação desse período sensível de sua saúde mental. Não é por menos, portanto, que Gaga também surge mais apaixonada do que nunca em MAYHEM, como nas faixas Vanish Into You, How Bad Do U Want Me e Blade of Grass. A beleza da simplicidade do amor, representada pela primeira canção, ilustra perfeitamente essa nova fase da artista, marcada por uma forte aceitação por quem ela é por completo: “We were happy just to be alive”.
MAYHEM chega na cerimônia deste domingo como um dos favoritos da crítica e do público para a vitória do principal prêmio da noite. Uma vez vitoriosa, Gaga comemoraria seu primeiro gramofone por Álbum do Ano da carreira. A disputa, no entanto, é acirrada com os também favoritos GNX, de Kendrick Lamar, e DeBÍ TiRAR MáS FOToS, de Bad Bunny. Porém, ainda que o prêmio vá para um de seus concorrentes, uma coisa é certa: a artista já chega vencedora pela aceitação e, consequente, superação de seu caos.
MUTT (Leon Thomas)
Após fazer parte da infância de todas as crianças que se divertiram assistindo Brilhante Victoria, o querido “André”, Leon Thomas, embarcou no mundo da música. Ele produziu sucessos como nasty da Ariana Grande e Snooze da SZA, e agora está se dedicando a trabalhos próprios e, com a nomeação de MUTT a Álbum do Ano, é possível ver que está dando certo.
Seu trabalho mistura diversos sons e estilos diferentes, como o neo-soul, que é uma mistura de R&B, jazz e soul, e o rock para criar uma diversidade sonora admirável. Ele afirmou em uma entrevista ao Grammy que o jazz é a essência de quem ele é, estando presente em gerações de sua família. Porém, o cantor também comenta que não gostaria de fazer um álbum inteiro do gênero aos 30 anos e resolveu explorar mais possibilidades ao seu redor. Seu álbum é riquíssimo não só em sonoridade, mas também em letras. O trabalho mostra vulnerabilidade explorando o tema do amor como algo conflituoso e do controle dentro de relações. Por exemplo, em sua música Answer your phone, o eu-lírico basicamente implora para que outro lado da relação responda suas mensagens, mostrando dependência e abandono emocional.
Relacionado a isso, vem a capa do álbum: metade do corpo de uma mulher segurando um cão aparentemente bravo. O cantor revela que, em seu tempo de estudante, escutava seu professor dizer que “ todos os homens são cães”. Desse modo, o artista se refere na capa, a uma mulher controlando um homem, se relacionando com as letras das músicas.
O cantor revela que o nome do álbum foi inspirado em seu cachorro Terry, pois apesar de ser um bom menino, está frequentemente se metendo em confusão. Ele explica que a cara que o cachorro faz é a mesma que ele faz quando está prestes a terminar um relacionamento. Desse modo, ele chamou o álbum de MUTT, em português “Vira-lata”, relacionando a confusão com o sentimento de não pertencer a alguém e ainda querer afeto, como a triste situação de muitos vira-latas.
O álbum em si fala sobre relacionamentos disfuncionais, tratando o amor como algo complicado, sujeito a auto sabotagem e falta de controle. Leon não se põe como vilão da história, mas também não se vitimiza. Essa humanidade e vulnerabilidade do cantor encantou os fãs e levou à continuação do álbum: a versão deluxe, MUTT Deluxe:HELL, que continua com a mesma narrativa, mas agora lembrando do passado e refletindo.
Swag (Justin Bieber)
Em Swag, Justin Bieber aposta em uma estética fortemente inspirada no R&B dos anos 90, com melodias mais suaves e um foco claro na voz, algo que faz muito sentido para o tipo de música que sempre foi seu ponto forte. É um disco menos preocupado com impacto imediato e mais interessado em criar um clima, e é bem claro que esse projeto foi tratado de forma meticulosa, com uma ideia clara do que queria entregar.
O álbum se organiza em blocos distintos. De um lado, estão as faixas que funcionam melhor dentro dessa nova proposta e ajudam a definir esse novo momento do artista. Certas colaborações fazem muito sentido, especialmente Devotion, com Dijon, que se encaixa perfeitamente nesse R&B mais intimista. Outras músicas como Yukon e Zuma House, que também se destacam por tentarem sons diferentes sem perder a identidade do Justin. O problema aparece quando o disco começa a se fragmentar: enquanto momentos mais crus, como em Glory Voice, funcionam bem e acrescentam profundidade, outras quebras de tom acabam desviando o álbum do seu eixo. Em Sweet Spot, por exemplo, Justin leva o som para um lado mais próximo do rap, o que destoa do R&B mais suave que estrutura Swag e enfraquece a coesão do projeto como um todo, sem mencionar os péssimos interlúdios falados (ou “skits”) com o Druski, que aparecem em Soulful, Therapy Session e Standing on Business.
Uma das críticas mais recorrentes nas resenhas de grandes revistas é a fragilidade das letras, apontada como um dos pontos fracos de Swag. Mas essa leitura ignora um grande aspecto da carreira do Justin: ele nunca foi um artista que trabalhou a complexidade lírica como prioridade. Desde Journals, um álbum bem mais puxado para o R&B, suas letras são simples e diretas, sustentadas muito mais pela melodia e pela voz do que pela escrita em si. Em Swag, isso continua, ficando ainda mais evidente em faixas como Go Baby, escrita para Hailey Bieber, com versos como “That’s my baby, she’s iconic / iPhone case, lip gloss on it”, que viraram meme justamente por sua simplicidade. Por mais que o verso seja zero complexo, e mesmo sabendo que Justin tem capacidade de escrever algo mais profundo como visto em outros álbuns, não dá para dizer que isso não se encaixa com ele. No fim, dá para sentir que Swag foi pensado com cuidado, ainda que o resultado não seja exatamente genial. É um álbum honesto, e é justamente nessa honestidade mais sensorial do que técnica que Justin Bieber funciona melhor.
Revisado por Pedro Anelli Bastos



