O papel da geração Z nas eleições de 2026
Com a aproximação das eleições de 2026, fica nítido as novas preferências que marcam as posições da geração Z em relação às novas disputas eleitorais e a busca de diferentes siglas políticas em atrair esse eleitorado.
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Com a aproximação das eleições de 2026, fica nítido as novas preferências que marcam as posições da geração Z em relação às novas disputas eleitorais e a busca de diferentes siglas políticas em atrair esse eleitorado.
As eleições nacionais brasileiras de 2026 apresentam aos eleitores um leque mais amplo de opções entre pré-candidatos, para além das tradicionais preferências partidárias. Ainda assim, o cenário político permanece fortemente marcado pela polarização, que segue estruturando o debate público e a disputa eleitoral. Soma-se a isso um crescente sentimento de rejeição à chamada “velha política”, associada aos grupos que têm predominado na condução do país nas últimas décadas, o que abre espaço para discursos de renovação e alternativas fora do establishment. Dentre os principais nomes que atualmente marcam a disputa presidencial, vale a pena destacar:
● Lula (PT): o atual presidente da república, busca a reeleição, com forte base popular e foco em inclusão social, crescimento com atuação do Estado e protagonismo internacional.;
● Flávio Bolsonaro (PL): atual senador pelo Rio de Janeiro, filho do ex-presidente Jair Bolsonaro, busca reviver o legado do pai com pautas conservadoras, apelo à direita e discurso voltado à segurança e valores tradicionais;
● Romeu Zema (NOVO): empresário e ex-governador de Minas Gerais, possuindo um perfil liberal clássico, apostando no liberalismo econômico, corte de gastos e menor intervenção estatal;
● Ronaldo Caiado (PSD): ex-governador por Goiás, com perfil conservador e forte ligação com o agronegócio, defensor de linha dura na segurança pública e gestão tradicional;
● Renan Santos (MISSÃO): fundador do Movimento Brasil Livre (MBL) e do partido Missão, o mais jovem partido político do Brasil, tem atuação mais ideológica e comunicativa, defendendo o liberalismo econômico, combate à corrupção, guerra contra o crime organizado e oposição tanto ao lulismo quanto ao bolsonarismo tradicional;
● Augusto Cury (Avante): Psiquiatra, escritor e palestrante brasileiro, conhecido por livros de desenvolvimento pessoal e inteligência emocional. Se baseia na defesa dos direitos humanos, foco na ressocialização de prisioneiros, combate ao preconceito e propostas para eliminar a fome, buscando pacificar o país e combater o discurso de ódio.
Com a aproximação do período eleitoral, diversos partidos intensificam suas mobilizações com o objetivo de garantir uma vantagem expressiva já no primeiro turno, consolidando, desde cedo, as bases de sustentação para o próximo governo. Nesse contexto, a disputa pela atenção dos eleitores torna-se um elemento central para a consolidação de poder. Todavia, entre os maiores focos para os candidatos que podem gerar uma mudança nítida no resultado dos votos, destaca-se o esforço para conquistar o eleitorado mais jovem, com o foco na geração Z.
Esses esforços por grande parte dos partidos, no entanto, enfrentam dificuldades para conseguir se adaptar e agradar o eleitorado que vem surgindo, devido às suas preferências e valores, em comparação com as gerações anteriores. Os mais jovens vêm perdendo o interesse pela velha política, dominada pelos mesmos partidos, e que não demonstram qualquer sinal de melhoria, ou interesse com o próprio país. De acordo com pesquisas recentes, as preferências se concentram em partidos jovens e recém-criados, muito devido à uma visão de mudança no sistema político brasileiro, rompendo gradualmente com o Centrão.
Uma dúvida bastante recorrente é: o que exatamente seria o Centrão? Trazendo uma definição bem direta, o Centrão seria os partidos políticos que não possuem uma orientação ideológica bem definida e que se aproximam do Poder Executivo para assegurar práticas entendidas como clientelistas e fisiológicas. A geração Z quer rejeitar essa composição da política tradicional e vem optando por partidos com posicionamentos ideologicamente mais definidos e que se diferenciam dos demais. Pode-se mencionar exemplos claros que surgem da esquerda, como o Partido Socialismo e Liberdade (PSOL) e a Unidade Popular (UP), com ideologias e opiniões claras e definidas, que procuram evitar um alinhamento concreto com as demais lideranças políticas da esquerda tradicional, incluindo o próprio PT. Já à direita, é possível citar o recém criado, MISSÃO, partido formado pelo MBL, de orientação liberal-conservadora e anti-sistema, que vem criticando duramente o bolsonarismo. Mas no fim, o que esses partidos fizeram para atrair tanto a atenção dos mais jovens?
De maneira clara e direta, eles souberam se comunicar com o novo eleitorado e trazer uma alternativa contra a velha e corrupta política que governa o país desde a redemocratização. Seja por qual ideologia que seja, uma boa comunicação com a população sobre suas ideias e planos é fundamental para atrair novos eleitores, seguidores, e destes uma boa imagem para a parcela de um grupo ideológico, assegurando uma influência sobre um certo grupo de eleitores. Além disso, um engajamento que contribuiu para o crescimento massivo desses partidos foi o engajamento nas redes sociais, mais utilizadas pelos jovens, contribuindo para um maior alcance e difusão das ideias.
Outro aspecto relevante é que a participação da geração Z não se limita ao ato de votar. Diversos líderes partidários têm investido na promoção de candidatos jovens como forma de renovar suas siglas e dialogar de maneira mais direta com esse público. Partidos como PL, PT, MISSÃO e PSOL ilustram essa estratégia, ao buscar nessas candidaturas uma forma de estimular o engajamento precoce do eleitorado jovem e, ao mesmo tempo, consolidar uma base de apoio para o futuro.
A geração Z hoje representa uma peça fundamental nas eleições de qualquer candidato que seja, com essa experiência já tendo ocorrido anteriormente no Brasil. Nas eleições de 2018, o eleitorado jovem foi essencial para a vitória de Jair Bolsonaro, e em 2022 com o Lula, pois são eles quem mais se engajam como militância, compartilhamento e interesses com novos temas; em um cenário em que o “tráfego pago” pode criar um sentimento coletivo da noite pro dia. Hoje, o grande foco dos candidatos está justamente em atrair esse eleitorado para servir como base de apoio e convencer, principalmente os mais velhos, a votarem em conjunto. No fim, a geração Z já vem demonstrando estar cansada da velha política e quer mudança do sistema presente, optando por alternativas que trazem uma nova visão de país. Apesar de representar a parcela mais jovem e recente do eleitorado, os partidos vêm dando cada vez mais atenção a eles, afinal, serão eles que ditarão as eleições e governarão o país no futuro. Partidos como o MISSÃO e o PSOL já perceberam isso e possuem as maiores taxas de aprovação entre esse grupo, o que pode garantir novas vitórias eleitorais nas próximas disputas, trazendo uma derrota marcante para o Centrão e abrindo espaço para novas mudanças no sistema político brasileiro.
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Referências
GOETHE-INSTITUT. Cultura e tecnologia. Disponível em: https://www.goethe.de/prj/hum/pt/dos/ctr/24737158.html. Acesso em: 5 maio 2026.
MISSÃO é o partido de maior preferência entre a geração Z. Brado Jornal, 2 abr. 2026. Disponível em:
https://www.bradojornal.com/noticias/politica/2026/04/02/missao-e-o-partido-de-maior-preferencia-entre-a-geracao-z/. Acesso em: 5 maio 2026.
ATLASINTEL: geração Z confia mais em novos partidos do que gerações passadas. Exame, [s.d.]. Disponível em:
https://exame.com/brasil/atlasinte-geracao-z-confia-mais-em-novos-partidos-do-que-geracoes-passadas/. Acesso em: 5 maio 2026.
PSOL rejeita federação com PT e mantém aliança com a Rede. CNN Brasil, [s.d.]. Disponível em:https://www.cnnbrasil.com.br/eleicoes/psol-rejeita-federacao-com-pt-e-mantem-alianca-com-a-rede/. Acesso em: 5 maio 2026.
QUAL a importância da participação dos jovens na política? Fundação Friedrich Naumann Brasil (FFD), [s.d.]. Disponível em:
https://ffd.org.br/boletim-informativo/qual-a-importancia-da-participacao-dos-jovens-na-politica/. Acesso em: 5 maio 2026.
PL aposta em candidatos jovens e pauta identitária nas eleições. InfoMoney, [s.d.]. Disponível em: https://www.infomoney.com.br/politica/pl-aposta-em-candidatos-jovens-e-pauta-identitaria-nas-eleicoes/. Acesso em: 5 maio 2026
Revisado por Leonardo Maceiras Ferreira
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