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Certa vez na velha de tão velha Oropa, três tupinambás foram prosear com um tal de Filósofo Montaigne: escute branco para nós é muito...

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Ornito Vargas

3 min de leitura

19 de junho de 2023

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Certa vez na velha de tão velha Oropa, três tupinambás foram prosear com um tal de Filósofo Montaigne:


escute branco para nós é muito estranho esses homens de grande estatura barbados e armados obedecendo uma pequena criança que vocês chamam de filho do rei mas ainda é mais estranho ver que entre vocês há gente bem alimentada gozando da vida e gente emagrecida esfaimados miseráveis mendigando nas portas dos outros é extraordinário que vocês suportem tanta injustiça sem se revoltarem e incendiarem a casa dos demais sobre nossa origem temos muito o que dizer somos boas pessoas amistosas com a vida conosco e com a mata somos muitos mais de cinco mil aquilo que vocês chamam de tradição para nós exige no máximo respeito


e terminaram seu caso.


A barbárie começou quando o pensador pensou, pensou e pouco pensou e pensouroubou as ideias vindas do mundo do além-mundo: glorioso Filósofo, um dos primeiros ocidentais a criticar o Ocidente!


Seus escritos repercutiram o mundo e os demais velhacos de mesma estirpe, de Shakespeare e Descartes até Rousseau e Marx, devem um pouco a esse intrigante ensaio.


Os tupinambás morreram de morte esquecida e as contradições que apontaram viveram mais que o próprio


clepto


filósofo.


Devemos pensar o quê devemos ao Pensar.


Nem mesmo olhamos para outros povos com a generosidade que tintilam seus olhares.


É claro, é claro, nos cega a cegueira, em parte, ocidental.


Difícil questionar o Ocidente.


Difícil sobreviver ao Ocidente.


Difícil garantir o próprio Direito Ocidental.


Luchar a luta


pelo fim da exploração,


da


matança


e da usurpação da terra.


Abrir mão do que temos de antiocidentais é,


fatalmente,


repetir velhacos do Continente com o sorriso antigos primeiro-mundistas e,


desgraçadamente,


terminar reflexões como fez Montaigne, com o patetaverniz da civilização:


Tudo isso é, em verdade, interessante, mas,


que diabo,


essa gente não usa calças!


Autoria: Arthur D'Antas


Revisão: André Rhinow & Laura Freitas


Imagem de capa: página de Les Essais de Montaigne no acervo da Bibliothèque Nationale de France

Revisado por Equipe de Revisão

Escrito por

Ornito Vargas

Há 7 anos na Gazeta

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