A NOVA ERA DA GIOCONDA (E UMA VOLTA AO PASSADO)






Nosso redator Gabriel Dos Anjos juntou esforços com o nosso Editor-chefe Pedro Forbes para trazer curiosidades sobre a Gioconda. E aí, vai ficar de fora?




Poucas coisas aproximam-se tanto da unanimidade na Fundação Getúlio Vargas quanto a Gioconda Venuta. Se quisermos ser ainda mais exatos, são poucas as coisas tão conhecidas no meio universitário paulista quanto a maior festa da GV que, nesse semestre, entra em uma nova era, em sua edição LVII.


Pela primeira vez, o Diretório Acadêmico Getúlio Vargas e o Centro Acadêmico Direito GV uniram-se na organização da festa, ao lado da Toy Produtora, tornando a nova edição que ainda acontece nessa semana, sexta-feira, dia 22, em uma das mais marcantes ao longo de todo esse tempo, como foram muitas outras que boa parte do alunato da Fundação se acorda.


A primeira Gioconda aconteceu em 1989, organizada por quatro alunos como uma festa de calouros. Em sua terceira edição, o DAGV assumiu a festa, sediando-a na antiga boate Aeroanta, como relembra o Secretário de Transportes Metropolitanos do Estado de São Paulo e ex-geveniano da Graduação em Administração Pública, formado em 1993, Clodoaldo Pelissioni. Presidente do DA entre 1991 e 1992, sua gestão foi responsável pelas sexta e sétima edições, sendo que a primeira é por ele definida como um marco arriscado:


“Fizemos a festa num casarão tombado na Avenida Paulista. Os custos eram altos, precisaríamos levar 1200 pessoas para bancar tudo. Conseguimos mais de 2000! A propaganda era feita através de cartazes que colocamos em todas as outras faculdades. Quem vendia dez ingressos ganhava o seu. Sem internet, tínhamos que trabalhar muito a comunicação por cartazes. Foi a partir dessa festa que não só alunos da GV, mas da ESPM, São Francisco, Mackenzie, PUC etc já ficavam na espera de quando aconteceria a próxima”.

Outra edição marcante foi a Gioconda 50, uma ode a todas as suas antecessoras. Vitor Amato Gerin, ex-geveniano de Administração de Empresas formado em 2017 e Coordenador de Eventos à época, guarda com um gosto especial as lembranças desta edição:


“Foi uma festa que fizemos com muita determinação, muita vontade de fazer um evento fenomenal. Começamos a organizar o evento com muita antecedência, e as ideias que tivemos foram infinitas. Pensamos de tudo. Queríamos fazer o evento do ano, e procuramos todas as formas de tirar do papel as ideias que tivemos. Desde o começo procuramos entender o espírito da festa ao longo dos anos, conversar com membros antigos do DA, assistir vídeos e ver fotos das edições antigas. Era estranho até, tinham álbuns de fotos reveladas de edições antigas, coisa que hoje é completamente obsoleta.


A Gioconda 50 era uma celebração de tudo o que a evolução da festa contemplou ao longo dos anos, era um brinde ao espírito geveniano. O DAGV – felizmente – não é uma entidade voltada somente para eventos, mas não podemos negar que a comunidade geveniana é muito boa de farra. E a gente queria trazer isso à tona”.


Conforme relata Vitor, por muitos anos a Gioconda foi o grande evento do meio universitário, atraindo gente de outras cidades que vinham apenas para curtir a festa e, até hoje, segue sendo o carro-chefe dos eventos organizados pelo DA, agora de portfólio recheado por outras festas queridas pelo público geveniano e de outras faculdades.


Na organização de uma festa que busca ser cada vez maior, são muitos os fatores que devem ser considerados para uma boa organização e, por extensão, são ainda mais tantas preocupações para se atentar. A geveniana Letícia Cristina Kanegae, do 6º semestre de AP e vice-presidente geral da gestão Inter entre 2016 e 2017, aponta a tríade que tem guiado os organizadores das festas que comparece e participa desde 2015: o line-up, a experiência e as bebidas.


“Um ponto curioso de ressaltar é a mudança de estilo que a festa adquiriu. Sempre tentamos adaptá-la ao que as alunas e alunos da GV queriam. Se você comparar a Gioconda 50 com uma das mais recentes, já da pra ver essa mudança, as bebidas da festa eram caras, grande parte do público ia com traje social, a atmosfera da festa era diferente. Isso se reflete, claro, na maneira de como nós gastávamos o dinheiro. Tínhamos sempre as opções de gastar em line-up, experiência de festa e bebida”.


Se, historicamente, uma parte grande do foco era a gastança em um open-bar variado e robusto com bebidas mais caras, a preocupação com fatores de como se dará a experiência da pessoa na festa e sua relação com a decoração, o espaço e a imersão vem ganhando mais atenção, segundo Letícia. Esse é um elemento positivo, em sua opinião:


“Muita gente, inclusive da organização, acha que o line-up é o que realmente traz o público para a festa. Eu discordo um pouco dessa visão. É diferente de um show, por exemplo, que a atração importa 100%. Acredito que se a pessoa teve uma boa experiência dentro da festa, ela vai querer voltar, independente do line up, que por sinal muitas pessoas não lembram nem na semana seguinte. Então assim, claro que no mundo ideal investiriamos nesses três fatores, mas quando se tem que priorizar, eu escolheria a experiência, com a infinidade de possibilidades de festa que você pode criar mudando a temática, a decoração e o ambiente.”


Um destaque importante relativo ao papel de cada organizador de uma festa enorme como a Gioconda é, sempre, a questão financeira.


Sobre esse ponto sempre recorrente, Letícia adota um posicionamento claro: não dá para a gente ficar bancando festa deficitária com o dinheiro da mensalidade dos alunos repassado pela Fundação. Então como que abordamos essa questão? Escolhendo e priorizando qual desses três elementos principais que fazem a festa ser festa a cada edição. O que podemos esperar, então, da edição desta semana e dessa chamada nova era iniciada pela Gioconda 57?


À medida que o dia derradeiro chega, todas as sensações que cada organizador experimenta podem ser resumidas em uma só: ansiedade.


O Diretor de Eventos do DAGV, Fernando Pavicic, do 6º semestre de AE, garante que a festa vem sendo pensada desde o início da nova gestão SER.


“A Gioconda é de longe a festa mais cara e, consequentemente, a mais arriscada do semestre, por isso o planejamento começa muito cedo. Desde os primeiros dias de gestão viemos fazendo reuniões para definir a melhor data e as atrações que iriam compor o line-up da festa. É o dia que mais esperamos e, por isso, a ansiedade é grande”.


A inquietude dos dias se aproximando é ainda incrementada pela maior novidade da nova edição, ou pelo menos, de seus bastidores: a inédita união entre as duas entidades que representam o corpo discente geveniano, DA e CA.


Algumas aproximações já foram ensaiadas nos últimos anos, contabilizando-se as tentativas de que se promovesse mais diálogo e integração entre as duas agremiações nas mais diversas frentes e perspectivas, seja a do lazer ou a acadêmica. No primeiro semestre deste ano, ambas organizações juntaram-se para emitir nota de repúdio à indicação do atual Ministro Alexandre de Moraes ao Supremo Tribunal Federal.

Desta vez, estamos falando de Gioconda Venuta. A Diretora de Eventos do CA, Gabriella Sorrilha, do 6º semestre do curso de Direito, explica que a ideia de unir forças para a edição 57 partiu de uma conversa com Fernando, com os dois concordando com a existência de uma grande separação sem sentido entre os campi da EDESP para com a EAESP e EESP, nas mais diversas perspectivas. O desejo compartilhado de reversão desse cenário contribuiu muito para as conversas entre as duas entidades que decidiram, enfim, unir forças na organização da maior festa do semestre, com o DA também participando da organização do já tradicional Churras do Direito.


“O mais importante é mudar a imagem de que o DA e o CA são entidades totalmente separadas, sem nenhum vínculo. É por meio de projetos conjuntos, não só na área de eventos, mas em todos os âmbitos, que vamos deixando a mensagem de que estamos a só uma Itapeva de distância [risos], e isso é bom pra melhorar a convivência de todos os alunos da GV”, coloca Gabriella.


Depois de um conflito iniciado após uma edição da Giovanna, a relação entre as duas entidades está mais frutífera, como reconhece Fernando: “começamos a vender as entradas das festas também na Rua Rocha, sendo que antes os alunos e alunas da EDESP precisavam ir até a EAESP para comprar o ingresso físico”.

Com os dois lados prometendo que as desavenças são águas passadas, a expectativa para a sexta-feira aumenta, ainda mais sabendo que estamos falando de uma Gioconda cheia de atrativos nunca vistos antes em nenhuma edição, como o open de Ben & Jerry’s e o bungee-jumping.


Todos nós esperamos que a festa entre para o rol individual de Giocondas favoritas de cada um que comparecerá à quadra da Águia de Ouro, ou como a primeira de muitas dos calouros e calouras, ou como mais uma para por na conta dos veteranos e veteranas, por mais difícil que seja escolher aquela que seja a preferida.


Letícia sabe bem qual foi a que mais curtiu: “com certeza, a de 2016.2 [Gioconda 55]. A experiência que pudemos oferecer nessa festa foi muito boa, e é isso que traz o pessoal de volta para a próxima edição. Foi a Gioconda do Vintage Culture na Fabriketa. Havia toda aquela entrada ambientada pelos palhaços no corredor principal fazendo a pessoa entrar na festa, se imergir naquela vibe do tema que escolhemos, um freakshow. Eu curti muito porque nunca tínhamos tido algo parecido com isso antes”.


Fernando compartilha da mesma impressão e ainda destaca a edição 53, cuja atração foi Otto Knows: “a maior estrutura e produção que eu já tinha visto”.


Já para Vitor, além da marcante edição 50 e a emoção de dar vida àquele projeto que renderia tributo ao apelo e tradição carregado pelo nome Gioconda, a edição predecessora também merece destaque: “A Gioconda 51 também foi muito marcante para mim. A gestão que estava organizando a festa fez um evento incrível, tudo muito bem planejado e executado. Foi algo mais pessoal para mim, pois foi logo quando eu e o Alexandre, amigo meu da GV, formamos os ZebraZ. O pessoal da organização convidou a gente para comandar a pista de funk desta edição, e todos nossos amigos estavam lá curtindo com a gente. Foi um privilégio enorme curtir com amigos, alunos e completos desconhecidos nesse dia”.


Clodoaldo, por sua vez, não esconde seu orgulho e satisfação em ter participado dessa história em seus primeiros momentos e tê-la visto crescer, mesmo que de longe: “ela [Gioconda] já passou da 50ª, não?”.

Enquanto esperamos o dia 22, o Secretário já se anima para o final do mês, quando acontecerá a primeira edição da Gioconda “Velhusca”, no dia 30, sábado, na Casa Bossa, e participação da Banda Tim Maia Cover e o “lendário” Bar da Haydee.


Essa é a maior prova da enorme referência que é a Gioconda Venuta no meio universitário paulista. Agora, é esperar o rolê chegar.

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