MUITO MAIS DO QUE 140 (280) CARACTERES

No texto de hoje, o nosso redator, Luca Mercadante, compartilha, por meio de uma crônica, a experiência que ele teve revivendo a sua conta no Twitter, que estava abandonada desde 2010.

Olá, sou eu de novo. Meu nome está ali, logo abaixo do título. O texto de hoje é uma crônica, leitor. Quero contar uma experiência que tive. Revivi minha conta no Twitter.


Estava eu dirigindo enquanto ouvia um dos podcasts que mais gosto, paixão que fica pra outro texto, quando surge entre os apresentadores o tema Twitter. Os locutores descreviam aquilo como um movimento avassalador, que os permitia interagir com a internet de uma forma única. "Não é possível que estou fora de um negócio desse", pensei. Desbloqueei o celular, baixei o aplicativo e loguei em minha conta, que havia sido aberta em meados de 2010. Até agora, não sei se esse momento carrega alegria ou um profundo arrependimento. Talvez os dois.


Bom, a primeira coisa que fiz foi personalizar a minha rede. Mudei minha foto de perfil. Mudei o design do feed. Escureci. Para aqueles que, como eu naquele carro, não usam o Twitter, é possível deixar seu feed em um tom azul marinho, muito mais interessante que o branco padrão. Os próximos passos são os mais intrigantes.


Tive de remontar meu feed. Não sou mais o mesmo de 2010. Meus interesses mudaram, graças a Deus. Segui meia dúzia de periódicos, alguns amigos, famosos que admiro, achei que estava tudo pronto. Lá fui eu. Recarreguei o feed. Gastei uns 15 minutos ali, mas não senti aquela onda que me atraiu. Desloguei, fui fazer outra coisa. Algumas horas depois, voltei. Agora eu tinha que entender, já estava ficando irritado.


No meu feed as coisas não estavam interessantes. Respondi a alguns tweets. Não tweetei. Não havia por quê. Falaria para 10 pessoas. Aquilo não tinha nada de interessante. Fui aos trends. A coisa começou a ficar quente.


Nossa! Que velocidade. Os temas subiam por si só e o debate era quase esquizofrênico. Todos falando, sobre o mesmo tema, sem nem sequer tomar conhecimento da opinião do outro. Depois de algumas horas, descobri que parte das notícias que consumo poderiam vir dali. Não havia só a novidade, propriamente dita. Vinha junto de uma opinião de uma massa diversa. Aquilo era fascinante, ao mesmo tempo um pouco assustador. Não quero entrar em detalhes da parte do assustador. Entenda da forma que você bem entender, leitor. Só vou dizer que talvez o mundo seja um pouco assustador.


Bom, estava legal. Já me sentia um pouco parte daquilo. Mas ainda não havia postado nada. Postar para 10 pessoas?! Não valia a pena. Mas sentia que para fazer parte daquilo por inteiro tinha que fazer isso, mas precisava me convencer. Me toquei que as contas faziam posts, e faziam posts. Às vezes, pessoas liam, às vezes não, pouco importava. Fiz meu primeiro post. Um pouco desajeitado, um pouco envergonhado. Alguns leram, outros não, pouco importa. Meus posts continuam desajeitados, mas quando os faço, me divirto. Quase extravaso.


Esse texto não é para divulgar minha conta no Twitter. É um desabafo, um semi-tweet, com alguns caracteres a mais. Queria dizer que aconteceu comigo algo que achei que não ia acontecer. Um nativo digital, com dificuldades de entender uma rede social. Sofri, mas acho que "entendi", com muitas aspas. A internet é mesmo uma avalanche, não sei do que. Do que quer que seja. E, para não dizer que não divulguei nenhuma conta, sigam a Gazeta: @gazetavargasfgv. Meu nome está ali, abaixo do título.

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